Dados da ANP que comparam a primeira e a última semana de cada mandato mostram alta diferente. No período Bolsonaro, diesel S10 subiu 79,8% e gasolina 14,5%; no de Lula, gasolina avançou 27,9% e diesel 12%.
Às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para este domingo (4), a série histórica da ANP mostra diferenças claras no comportamento dos preços dos combustíveis entre os dois mandatos. A comparação usa a primeira semana de pesquisa de cada mandato e a última disponível — no caso de Lula, a encerrada neste sábado (3).
Nos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), o preço médio do diesel S10 subiu 79,8% e o da gasolina, 14,5%. No período de Luiz Inácio Lula da Silva (janeiro de 2023 até a semana encerrada neste sábado), a gasolina avançou 27,9%, o diesel S10, 12,9%, e o etanol, 3,0%.
Variação por combustível
- Gasolina comum: início Bolsonaro R$ 4,33 — fim Bolsonaro R$ 4,96 — +14,5%; início Lula R$ 5,12 — atual (out/2026) R$ 6,55 — +27,9%.
- Etanol hidratado: início Bolsonaro R$ 2,83 — fim Bolsonaro R$ 3,87 — +36,7%; início Lula R$ 4,01 — atual (out/2026) R$ 4,13 — +3,0%.
- Diesel S10: início Bolsonaro R$ 3,55 — fim Bolsonaro R$ 6,38 — +79,8%; início Lula R$ 6,51 — atual (out/2026) R$ 7,35 — +12,9%.
A inflação também altera a leitura: o IPCA acumulou 26,9% nos quatro anos de Bolsonaro e 17,9% no período de Lula. Descontado esse índice, o diesel ficou 41,7% mais caro na gestão anterior e 4,2% mais barato na atual, enquanto a gasolina recuou 9,8% em termos reais com Bolsonaro e subiu 8,5% com Lula.
Os extremos da série incorporam decisões de governo. Em dezembro de 2022 a gasolina estava sem tributos federais por cortes temporários, e o diesel vendido atualmente conta com subvenção de R$ 2,12 por litro paga a produtores e importadores. Em ambos os casos, as medidas foram adotadas em ano eleitoral.
No governo anterior, fatores como a pandemia e a crise internacional impulsionaram oscilações. A pandemia reduziu a demanda e levou a gasolina a patamares inferiores a R$ 4 em maio de 2020. Em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, houve forte alta: em junho daquele ano a gasolina alcançou R$ 7,39 e o diesel S10, R$ 7,68.
As respostas do governo de 2019–2022 combinaram pressão política sobre a Petrobras e cortes de impostos. Em 2022, leis sancionadas zeraram tributos federais sobre combustíveis e limitaram o ICMS estadual. O Congresso aprovou, naquele ano, medida que reconheceu estado de emergência por causa dos combustíveis, abrindo caminho para auxílios antes do primeiro turno. Estados recorreram ao Supremo e, por acordo, a União compensou R$ 27 bilhões, valores pagos depois, já no governo seguinte. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais o estado de emergência e os benefícios criados às vésperas da eleição.
No início do mandato atual, houve retorno de tributos federais sobre a gasolina para recompor receitas. A Petrobras alterou a política de preços: abandonou o Preço de Paridade de Importação (PPI) e aplicou cortes, colocando o diesel abaixo de R$ 5 em um momento. Posteriormente, com preço doméstico muito abaixo do externo e relatos de falta de produto em postos, a estatal promoveu reajustes.
O choque de 2026 também pressionou preços: a partir do fim de fevereiro, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã restringiu passagem no Estreito de Ormuz. Em cinco semanas, o diesel subiu quase 25%. A reação do governo incluiu zerar imposto no diesel, subsídios a produtores e importadores, taxa sobre exportação de petróleo e, em setembro, ampliação de subsídio do diesel e corte de tributos da gasolina e do etanol — medidas implementadas a menos de um mês da eleição.
Críticos e a oposição classificaram o pacote como de caráter eleitoral, enquanto o governo afirma que as medidas respondem a choques externos, são financiadas por arrecadação extra do petróleo e têm prazo curto para respeitar a legislação eleitoral. Economistas alertam que, como mais de um quarto do diesel consumido no país é importado, o subsídio mitiga apenas parte da alta, e que cada R$ 1 de subsídio por litro equivale a cerca de R$ 5 bilhões por mês em custo fiscal. Até o momento, nenhuma das medidas econômicas recentes foi suspensa pela Justiça.








