O Grupo SHC, representante da JAC, pediu recuperação judicial para renegociar passivo de R$ 239,5 milhões. O pedido envolve 44 empresas e ocorre com queda nas vendas e mudança do foco para picapes e canais digitais.
O Grupo SHC, representante da JAC Motors no Brasil, entrou com um novo pedido de recuperação judicial para renegociar um passivo de R$ 239,5 milhões. A medida envolve 44 empresas do grupo liderado por Sergio Habib e ocorre em um momento de redução acentuada das vendas e de mudança estratégica da marca, que se afasta de carros elétricos de passeio para focar em picapes e em canais digitais.
Esta é a segunda vez que a operação brasileira recorre à Justiça: o primeiro processo começou em 2018, com passivo superior a R$ 517 milhões, e foi encerrado em maio de 2025. O retorno aos tribunais pouco mais de um ano depois expõe a dificuldade de concorrer com montadoras chinesas que ganharam escala no mercado elétrico nacional.
Os dados de vendas confirmam o encolhimento da marca. A montadora registrou 988 emplacamentos de veículos leves em 2025, queda de 51,1% ante as 2.022 unidades de 2024, enquanto o mercado brasileiro cresceu quase 3% no mesmo período. Em 2026, o cenário se agravou: entre janeiro e setembro, dados da categoria apontam apenas 373 emplacamentos acumulados, distribuídos em 146 unidades do compacto elétrico E-JS1, 10 do hatch E-JS3 e 217 da picape Hunter.
A retração provocou o fechamento de concessionárias em todo o país. Depois de abrir 50 lojas em um único dia em 2011, a marca manteve apenas três pontos físicos no Brasil — localizados em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre — e deslocou grande parte da comercialização para canais digitais como forma de reduzir custos operacionais.
Para suporte aos proprietários, a empresa passou a contar com uma rede de 142 oficinas credenciadas em todo o país, estratégia que foi apresentada como alternativa à manutenção de uma ampla rede de concessionárias tradicionais.
O portfólio de produtos também foi enxugado: o SUV E-JS4 e o sedã E-J7 saíram de linha, enquanto o compacto E-JS1 tem futuro incerto. A companhia prometeu, mas não lançou, no mercado nacional, o hatch elétrico E-JS3, que originalmente tinha a missão de ser um dos elétricos mais acessíveis do país.
A linha de picapes Hunter sofreu cortes nas promessas de versões: variantes híbrida plug-in e totalmente elétrica foram anunciadas, mas nenhuma delas desembarcou no Brasil. O modelo assumiu protagonismo dentro da gama, porém restrito à versão a diesel 4Work, oferecida por R$ 219.900, com foco em agronegócio e frotistas, afastando-se do cliente pessoa física.
O Grupo SHC não respondeu até a publicação desta reportagem.







