O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, pediu desculpas aos clientes que tiveram problemas com o motor 1.2 PureTech, conhecido pela correia dentada banhada a óleo. O pedido ocorreu em entrevista publicada durante o Salão de Paris e valeu também para os afetados pelo caso dos airbags Takata.
“Antes de tudo, peço desculpas pelos problemas que eles enfrentaram no passado”
Filosa afirmou que a qualidade dos carros do grupo melhorou cerca de 30% desde o início de 2026, sem detalhar o critério adotado para essa medição. Em seguida, reafirmou compromisso com novos ganhos de qualidade.
“Vamos melhorar ainda mais, eu me comprometo com isso”
O problema técnico que originou as reclamações está ligado à correia dentada do motor PureTech. Diferente de projetos convencionais, a correia deste motor trabalha mergulhada no óleo do cárter. Com o tempo, a correia pode se desintegrar, e os resíduos de borracha resultantes acabam entupindo o pescador e a bomba de óleo.
O entupimento compromete a circulação de óleo, interrompe a lubrificação do conjunto e pode levar à quebra do motor. As falhas se concentraram inicialmente na Europa, em modelos como Peugeot 208, 308 e 3008, Citroën C3 e Opel Corsa. Em resposta, a Stellantis estendeu a garantia do motor para dez anos ou 180.000 km e criou um canal de reembolso para proprietários que arcaram com consertos.
No Brasil, o motor 1.2 aspirado, de até 90 cv e 13 kgfm, equipou o Peugeot 208 e o Citroën C3 entre 2016 e 2020. Posteriormente, os dois modelos passaram a se apoiar principalmente nos motores 1.0 de origem Fiat, disponíveis em versões aspirada e turbo, com mecânica mais simples, manutenção mais barata e reputação de confiabilidade.
Desde 2023, a nova geração do motor 1.2 usa corrente de comando no lugar da correia. Em fevereiro, a Stellantis confirmou investimentos para adaptar os motores Firefly — desenvolvidos pela Fiat com participação da engenharia brasileira — às futuras regras de emissões europeias. A imprensa europeia indica que os Firefly devem substituir gradualmente o PureTech.
No mercado brasileiro, a família Firefly equipa modelos como Fiat Mobi, Argo, Cronos e Strada, além de versões de Peugeot 208 e Citroën C3.
Enquanto a Stellantis migra para a corrente, a Chevrolet manteve a correia banhada a óleo nos motores de Onix, Onix Plus e Tracker. Na linha 2026, a correia recebeu alteração de composição, com revestimento de teflon nos dentes e reforço de fibra de vidro.
Segundo a fabricante, a nova correia resiste melhor ao óleo ácido ou deteriorado e pode durar até 240.000 km ou dez anos. A GM também ampliou para cinco anos a garantia dos modelos.





