Solução que reduz componentes e facilita manutenção, a refrigeração a ar traz simplicidade, mas costuma limitar potência e aumentar ruído. Veja cinco modelos de outras marcas que adotaram esse sistema.
Ter o motor refrigerado a ar é uma das características mais marcantes do Volkswagen Fusca. A marca alemã até usava isso como argumento de vendas, com o célebre slogan:
“o ar não ferve”
A refrigeração a ar simplifica o conjunto mecânico ao reduzir a quantidade de componentes do sistema de arrefecimento. A contrapartida costuma ser menor potência específica, funcionamento mais ruidoso e emissões superiores — motivos que levaram ao abandono dessa solução na maioria dos automóveis de passeio.
No entanto, a tecnologia nunca foi exclusividade da Volkswagen ou da Porsche: várias montadoras adotaram motores refrigerados a ar em projetos que vão de compactos populares a sedãs de luxo e esportivos leves. Abaixo, cinco exemplos significativos de modelos com propulsores a ar, com dados técnicos e históricos preservados conforme o material original.
Chevrolet Corvair
- Motor: boxer refrigerado a ar, com seis cilindros (em vez dos quatro do Fusca).
- Ano de estreia: 1959 (como resposta da GM ao mercado de compactos).
- Arquitetura e suspensão: suspensão traseira por semieixos oscilantes na primeira geração; segunda geração em 1965 adotou suspensão traseira por braços semiarrastados similar ao Corvette.
- Variedade de carrocerias: sedã 4 portas, cupê, conversível, perua, furgão e picape; houve até versões turbinadas.
- Impacto comercial: vendas iniciais satisfatórias que despencaram após o lançamento do livro “Inseguro a Qualquer Velocidade”, que abordou falhas de segurança em carros americanos.
Citroën GS
- Motor: boxer de 4 cilindros refrigerado a ar (último carro da marca sem radiador).
- Conceito técnico: desenho aerodinâmico por Robert Opron, tração dianteira e suspensão hidropneumática.
- Período e produção: produzido de 1970 a 1968; registrou 2,5 milhões de unidades vendidas.
- Variante experimental: chegou a ser feito com motor rotativo em teste de curta duração.
- Produção internacional: fabricado em países como Indonésia, Tailândia, Iugoslávia, Moçambique e Zimbábue.
Toyota Sports 800
- Origem: deriva da família Publica, série de compactos da Toyota com motores 2 cilindros boxer refrigerados a ar.
- Dimensões e peso: 3,58 m de comprimento e 580 kg.
- Motor e potência: motor 2 cilindros refrigerado a ar de 800 cm³ e 45 cv.
- Produção e raridade: 3.131 unidades fabricadas; estima-se que apenas 10% sobreviveram.
Tatra T700
- Contexto da marca: fabricante da República Tcheca com tradição em motores refrigerados a ar, incluindo V12 turbodiesel.
- Posicionamento: sedã de luxo com motor V8 traseiro refrigerado a ar.
- Motor e potência: V8 4.4 traseiro a ar com 234 cv.
- Linhagem e produção: evolução do Tatra 613 de 1974; versão final da linhagem apareceu em 1996 com o T700; produção limitada a 75 unidades.
Honda 1300
- Contexto histórico: Honda entrou no mercado de automóveis em 1963, vindo das motocicletas, e adotou inicialmente soluções de refrigeração a ar.
- Orientação do fundador: Soichiro Honda exigiu que o motor do primeiro carro familiar da marca fosse refrigerado a ar e silencioso.
- Apresentação: apresentado no Salão de Tóquio em 1970.
- Motor e potência: motor 1.3 refrigerado a ar com 100 cv; versão esportiva Coupe9 com 110 cv.
- Desfecho comercial: apesar do refinamento técnico, o Honda 1300 não fez sucesso junto ao público.
Esses exemplos mostram como a refrigeração a ar foi aplicada em soluções variadas: desde projetos de mobilidade popular até tentativas de oferecer luxo e desempenho sem recorrer à refrigeração líquida. A escolha técnica trouxe vantagens de simplicidade, mas também limitações que, com o tempo, tornaram a solução menos adequada aos requisitos modernos de potência, ruído e emissões.









