Com 42.800 blindados vendidos em 2025, o Brasil é líder mundial. O peso extra aumenta desgaste: confira calibragem indicada no manual/etiqueta e faça revisão de suspensão e itens técnicos regularmente.
O Brasil fechou 2025 com o registro de 42.800 carros blindados vendidos, número que coloca o país na liderança global desse tipo de solução. Ter blindagem no veículo implica despesas adicionais de manutenção devido ao aumento de peso, que acelera o desgaste de componentes e exige procedimentos técnicos específicos.
Um dos pontos centrais é a calibragem dos pneus. As informações sobre a pressão adequada constam no manual do veículo ou em etiqueta no batente da porta do motorista ou na tampa do tanque de combustível, indicando valores para o veículo vazio e para carga. A orientação dada a proprietários de carros blindados é adotar a calibragem indicada para carga máxima, sem ultrapassar esses valores.
Além da pressão, é preciso observar o índice de carga dos pneus. Esse índice aparece nas medidas do pneu, logo após o diâmetro da roda, e informa quantos quilos cada roda pode suportar com segurança. A alteração do índice de carga deve ser analisada caso a caso, com verificação do peso adicional da blindagem, sua distribuição entre os eixos e a capacidade de carga original dos pneus. Caso a capacidade prevista permaneça adequada, a troca por um índice superior não é obrigatória.
“É necessário verificar quanto peso foi acrescentado pela blindagem, como esse peso está distribuído entre os eixos e se a capacidade de carga dos pneus originalmente especificados continua adequada ao peso final do veículo ou não. Caso essa capacidade permaneça dentro dos limites previstos para o pneu, a troca por um índice de carga superior não é necessária.”
Não existem no mercado brasileiro pneus específicos para carros blindados. Como alternativa para manter a mobilidade em caso de perfuração, são oferecidas soluções como o Run Flat — também chamado de cinta de proteção —, uma cinta instalada na parte interna da roda que evita o deslocamento do pneu vazio e permite que o motorista deixe uma situação de emergência.
A suspensão é a área que mais sofre com o peso adicional. Amortecedores, coxins dos amortecedores e buchas da suspensão tendem a desgastar-se mais rapidamente em veículos blindados. Não há vida útil padronizada para essas peças, por isso a recomendação é solicitar inspeção periódica durante as revisões. Rodar com a suspensão danificada é perigoso.
O acréscimo de massa também traz implicações para a rotina dos mecânicos e para a infraestrutura das oficinas. O aumento de peso é proporcional ao tamanho do veículo e exige atenção para garantir que o elevador suporte o peso com segurança. Ao colocar o carro no elevador, é preciso evitar torções na carroceria que podem danificar o vidro, o qual fica mais sensível após a blindagem.
Em suma, a blindagem amplia a proteção do veículo, mas implica em custos recorrentes mais altos e em cuidados técnicos adicionais com pneus, suspensão e procedimentos de oficina. Proprietários devem planejar revisões mais frequentes e avaliar adaptações quando o peso suplementar comprometer componentes originais.






