Testamos o Cayenne elétrico: é o Porsche de série mais potente já feito, com tração integral e dois motores. Acelera como montanha-russa e chega ao Brasil a partir de R$ 1.410.000.
Nem o Porsche Cayenne, um dos SUVs esportivos mais tradicionais da indústria, escapou da eletrificação. Sua quarta geração passa a ser totalmente elétrica e estreia uma nova proposta técnica: a versão topo de linha, Turbo, torna-se o Porsche mais potente da história produzido em série até agora. Testamos o modelo, que chega ao Brasil a partir de R$ 1.410.000.
O Cayenne Electric mantém a nomenclatura Turbo para sua versão mais cara e poderosa — embora motores elétricos não tenham turbocompressores. A configuração é equipada com dois motores, um em cada eixo, caracterizando tração integral; não foram divulgados dados individuais de potência e torque dos motores. Em operação normal, a combinação entrega 857 cv e 153,1 kgfm.
Para momentos de maior desempenho há a função push-to-pass, ativada por um botão no volante, que adiciona 176 cv por 10 segundos, elevando a potência para 1.033 cv. Em largadas, com o Launch Control ativo, o SUV atinge o pico de 1.156 cv, responsável pelo recorde de potência da marca. O torque permanece em 153,1 kgfm em todas as condições de entrega.
Com esse pico de potência, o Cayenne Turbo elétrico levou 2,6 s para ir de 0 a 100 km/h nos testes práticos, com retomadas frequentemente abaixo de 2 s — números impressionantes para um SUV de 4,99 m e 2.645 kg. A sensação de arrancada foi descrita como extremamente brutal, comparável a uma montanha-russa de alta intensidade; mesmo supercarros e versões esportivas como o Taycan Turbo GT (2,2 s, 1.108 cv e 126,4 kgfm) não produziram a mesma percepção subjetiva de impacto na largada.
Ao mesmo tempo, o carro pode ser guiado com suavidade no dia a dia. Os modos de condução (Off-Road, Comfort, Normal, Sport e Sport Plus) ajustam parâmetros de motor, suspensão, direção e freios para adaptar comportamento e conforto. A direção direta, posição de condução ergonômica e suspensão calibrada preservam características típicas da marca, inclusive um ronco simulado de V8 nos modos esportivos.
Entre os opcionais, a suspensão a ar com controle ativo Active Ride, exclusiva para a versão Turbo e avaliada em R$ 68.085, gerencia forças de tração e compressão individualmente em cada roda, reduzindo inclinações laterais e longitudinais e melhorando estabilidade em pisos irregulares. A unidade testada contava com esse item, que também contribui para a dinâmica em pista, aliado ao esterço de até 5° nas rodas traseiras.
O pacote Off-Road, de R$ 11.194, altera ângulos de ataque (de 19,2° para 25°), saída (de 18,7° para 22,7°), altura do solo (de 19 cm para 24,5 cm) e capacidade de imersão (de 50 cm para 55,5 cm), além de modificar para-choques e ajustes de suspensão. A bateria tem 113 kWh e arquitetura de 800 volts; recargas rápidas chegam a 390 kW (DC) e lentas a 22 kW (AC). Segundo dados da marca, é possível recuperar de 10% a 80% em apenas 16 minutos.
O conjunto entrega um pacote técnico que combina cifras extremas de potência com soluções de chassi e eletrônica para domar um veículo pesado, oferecendo ao mesmo tempo comportamento esportivo e possibilidade de uso cotidiano confortavelmente ajustado.
















