Marca premium do grupo BYD revela Z com desenho de Wolfgang Egger e 1.180 kW combinados. Três motores somam 1.604 cv e levam o carro a 0–100 km/h em 2,25 s.
A Denza apresentou o Z como sua aposta para entrar no topo do segmento de superesportivos elétricos e confrontar marcas estabelecidas. Marca premium do grupo BYD, a Denza busca posicionamento semelhante ao de Lexus, Infiniti e Genesis — carros com estética diferenciada, construção e equipamentos de nível luxuoso e performances elevadas.
O Z combina um desenho esguio assinado por Wolfgang Egger com um conjunto de propulsão que surpreende pela potência: o projeto prevê dois motores no eixo traseiro, cada um gerando 340 kW (460 cv), e um motor dianteiro de 500 kW (680 cv), totalizando 1.180 kW (1.604 cv) e 126,5 kgfm de torque. Em papel, a Denza anunciou aceleração de 0 a 100 km/h em 2,25 segundos e velocidade máxima limitada eletronicamente a 300 km/h.
O lançamento ocorreu durante o Festival de Goodwood, no Reino Unido, e a primeira experiência consistiu em três voltas num circuito de 3.860 metros — uma oportunidade restrita para formar uma impressão inicial, sem caráter de teste completo. O circuito foi usado como laboratório para contextualizar o potencial do modelo, embora as retas curtas do traçado tenham impedido aproximações seguras à velocidade máxima anunciada.
No interior, a cabine foi pensada para dois ocupantes principais, com dois lugares traseiros de utilidade limitada — mais úteis para bagagem do que para transporte humano — e porta-malas de 250 litros. O acabamento mostrou couro e montagem convincente, embora alguns plásticos deixem claro a diferença para rivais de prestígio. As telas do painel foram consideradas discretas diante do caráter do carro.
Durante a volta rápida com acompanhamento de um engenheiro, a entrega de potência foi forte mesmo com metade do curso do acelerador, mas o mapeamento do pedal foi descrito como relativamente conservador, segundo a fábrica, para mitigar efeitos fisiológicos em acelerações extremas. Impossibilitado de ativar o modo Boost na ocasião, o relato apontou sensação de anticlímax: faltou a aceleração superlinear e balística que outros elétricos de mais de 1.000 cv costumam oferecer, o que ficará por verificar em um ensaio rodoviário e em pista mais extensa.
O pacote técnico inclui bateria de 76 kWh — dimensionada para limitar massa além das 2,2 toneladas — e carregamento em ritmo compatível com super-rápidos, segundo a fabricante. Os freios são cerâmicos, com seis pistões à frente e quatro atrás, projetados para alcançar temperaturas e resistência à fadiga esperadas nesse nível de desempenho.
Em comparação direta, a Denza posiciona o Z com preço estimado a partir de 160.000 euros (cerca de R$ 935.000 na Europa), valor que fica significativamente abaixo do que é pedido por alguns concorrentes ocidentais de topo: o Taycan Turbo GT Weissach, por exemplo, custa aproximadamente 80.000 euros a mais e anuncia 500 cv a menos. A percepção final é a de um projeto promissor, com acerto de produto e alguns pontos a afinar na dinâmica, sobretudo em direção e suporte lateral dos bancos. Um teste completo será necessário para confirmar se os números de papel se traduzem integralmente em desempenho na estrada.













