A Yamaha anunciou que aplicará gradualmente uma liga de alumínio reciclado, desenvolvida internamente, nos cilindros DiASil usados desde 2002. A mudança deve cortar cerca de 47 mil toneladas de CO₂ por ano.
A Yamaha Motor anunciou que vai trocar a matéria‑prima dos cilindros DiASil, utilizados em motos e scooters da marca desde 2002, por uma liga de alumínio reciclado desenvolvida internamente. A substituição será gradual e, quando alcançar todos os modelos equipados com o componente — o que a fabricante prevê para 2030 —, deve reduzir as emissões de CO₂ em cerca de 47 mil toneladas por ano, segundo estimativa da própria Yamaha.
O DiASil é um projeto de cilindro integralmente em alumínio, sem camisa de ferro nem revestimento interno, introduzido em produção em 2002. Entre as vantagens atribuídas ao componente estão resistência ao desgaste e à gripagem, melhor dissipação térmica, menor massa, maior reciclabilidade e custo de fabricação mais baixo. Até aqui, o DiASil era fundido com liga de alumínio virgem; a novidade anunciada é a alteração da origem do metal para uma liga fabricada a partir de material reciclado.
Segundo a fabricante, o uso de alumínio reciclado convencional sempre esbarrou em traços de impurezas que comprometem requisitos críticos do cilindro, como microestrutura do metal, propriedades da superfície e resistência à corrosão. Para contornar esses entraves, a Yamaha diz ter desenvolvido uma liga reciclada com características equivalentes às do alumínio virgem e compatível com as linhas de produção existentes, sem necessidade de alterar o processo de fabricação.
O novo material foi projetado a partir de cálculos termodinâmicos e passou por testes em bancada e avaliações em veículos antes da liberação para uso em série, conforme mencionado pela fabricante. A implementação terá início pelos modelos urbanos produzidos na Indonésia, um dos maiores mercados de motocicletas do mundo, e a expansão para outras fábricas está prevista, embora a empresa não tenha detalhado cronograma ou mercados subsequentes. O Brasil não foi citado no comunicado.
Essa iniciativa integra o Plano Ambiental do Grupo Yamaha Motor 2050, que estabelece a meta de neutralidade de carbono em toda a cadeia até 2050, incluindo emissões diretas (escopos 1 e 2) e indiretas (escopo 3). Como marco intermediário, a empresa pretende que, até 2030, 100% do alumínio usado na fabricação própria nas principais unidades no Japão e no exterior seja substituído por alternativas sustentáveis.
O anúncio traz ressalvas técnicas e de escopo: a estimativa de redução de 47 mil toneladas de CO₂ ao ano refere‑se especificamente à matéria‑prima e só se concretiza ao término da transição. Essa cifra não engloba as emissões geradas pelo uso dos veículos em circulação. A fabricante também não informou se a mudança terá impacto nos custos de produção ou no preço final dos modelos.





