Quase uma década após o conceito, o Roadster trocou linhas fluidas por superfícies angulares e incorpora tecnologias da SpaceX para desempenho extremo. A Tesla informou novo adiamento das primeiras entregas.
Quase uma década após a apresentação do primeiro conceito, a Tesla revelou a versão de produção da segunda geração do Roadster. O esportivo elétrico abandonou as linhas fluídas do protótipo de 2017 e adotou superfícies angulares que remetem diretamente ao estilo da picape Cybertruck, resultado do trabalho do estúdio de design da fabricante norte-americana.
A marca incorporou tecnologias desenvolvidas em parceria com a SpaceX para alcançar números extremos de desempenho. O ponto mais crítico da apresentação foi o novo adiamento da produção: segundo a fabricante, as primeiras entregas aos clientes no mercado global estão previstas apenas para o decorrer de 2028.
A aerodinâmica do Roadster utiliza ventoinhas sob o assoalho capazes de gerar até 2 g de força descendente mesmo com o carro parado, além de 10 propulsores de gás frio alimentados por reservatórios de ar em alta pressão. A solução inclui também um aerofólio traseiro ativo, ajustável em tempo real para gerar maior ou menor sustentação negativa conforme as demandas de aderência.
O veículo não é capaz de voar de fato, mas a fabricante demonstrou durante a apresentação o acionamento dos jatos em rampa vertical, seguido de rotação no ar e pouso controlado. Um vídeo publicado por um canal automotivo mostra detalhes do carro e revela que o Roadster tem um tanque de 200 litros que é esgotado instantaneamente ao realizar a aceleração de 0 a 100 km/h na sua capacidade máxima de uso. A versão Rocket retira o banco do passageiro para acomodar um segundo tanque de 400 litros.
Segundo a empresa, os propulsores e as ventoinhas atuam em conjunto com o sistema de tração integral para garantir aderência mecânica imediata desde a imobilidade. A fabricante declarou que, em pista de testes demonstrada ao público durante o evento oficial, o conjunto permitiu cumprir a prova de aceleração de 0 a 96 km/h em 0,81 s.
Em entrevista, Lars Moravy, vice‑presidente de engenharia de veículo da Tesla, deu informações que diferem do que foi afirmado em palco: Musk afirma que os tanques do carro serão reabastecidos com o ar atmosférico de forma automática, enquanto Moravy disse que abastecer os compartimentos com uma fonte externa de nitrogênio de alta pressão leva entre duas e seis horas, com a meta de reduzir esse tempo para 30 minutos até o lançamento.
A linha do esportivo será composta pelas versões Performance, Thrust e pela opção monoposto Rocket. A opção de entrada Performance exige depósito inicial de US$ 50.000 (R$ 254.500 ao câmbio informado), no momento da reserva. A intermediária Thrust, necessária para atingir a marca de aceleração abaixo de 1 s, custa US$ 250.000 (R$ 1.272.500 ao câmbio informado). A variante Rocket traz cabine com um único assento central, configuração completa de propulsores a ar para manobras de voo curto e terá vendas restritas a compradores selecionados mediante convite; o preço público dessa versão não foi divulgado.
A solução de sucção pelo assoalho recorda o conceito do carro‑ventilador usado pela Brabham na Fórmula 1 em 1978, segundo a fabricante. Apesar de abrir o sistema de encomendas globais, a Tesla não revelou dados técnicos fundamentais, como capacidade da bateria, potência combinada, autonomia declarada ou local de fabricação. Com o início da produção empurrado para 2028, a marca também manteve silêncio sobre como ficará a situação dos compradores que realizaram sinal de reserva ao longo dos últimos nove anos.







