Uma alcunha automotiva migrou de cupês e sedãs dos anos 1970 para picapes atuais. Veja as diferenças técnicas, origens e valores das versões antiga e recente.
No universo automotivo, nomes consagrados foram sendo ressignificados ao longo das décadas. O que nos anos 1970 identificava um sedã ou cupê de luxo pode hoje batizar picapes ou utilitários eletrificados. No mercado nacional há diversos exemplos dessa transposição de alcunhas clássicas para novas categorias; abaixo, comparamos características técnicas, origens e valores das encarnações antigas e recentes de dois desses nomes.
Ford Maverick clássico x Ford Maverick picape
Maverick clássico
- Período de produção: 1973–1979 — produzido no Brasil nas carrocerias cupê e sedã.
- Apelo: esporte e design arrojado para os padrões da época.
- Motores: V8 5.0 com 197 cv e seis cilindros 3.0 com 112 cv.
- Valor de mercado (usado): unidade bem conservada do Maverick GT com motor V8 pode facilmente ultrapassar a barreira dos R$ 200.000.
Maverick picape
- Retorno do nome: segundo o histórico editorial, em 2022 o nome Maverick retornaria ao mercado brasileiro na forma de uma picape intermediária.
- Configuração mecânica: uma versão eletrificada combina motor 1.5 a combustão com outro elétrico no eixo dianteiro, entregando 194 cv, rendimento próximo ao do antigo V8.
- Tração: versões a gasolina trazem tração 4×4.
- Preços: versão zero-quilômetro parte de R$ 209.900; unidades seminovas são encontradas na faixa de R$ 150.000.
O caso do Maverick ilustra como um mesmo nome pode unir afeto histórico e estratégia comercial atual: além da identidade nominal, o preço das diferentes gerações passa a ser um elo de comparação direto entre colecionadores e consumidores de veículos novos.
Chevrolet Captiva x Chevrolet Captiva EV
Captiva (2008–2017)
- Chegada ao Brasil: 2008, com apelo familiar e proposta mais sofisticada, produzido no México.
- Preço de lançamento: na casa dos R$ 90.000 durante o período de vendas, quando foi considerada atraente para a época.
- Opções mecânicas: V6 3.6 com 261 cv, quatro cilindros 2.4 com 171 cv ou 185 cv, e V6 3.0 com 268 cv.
- Origem técnica: modelo a gasolina nasceu de projeto sul-coreano desenvolvido após a aquisição da Daewoo pela GM.
Captiva EV (2025)
- Anúncio: Agora em 2025, a Chevrolet anunciou o retorno do nome Captiva com proposta elétrica, adotando o sobrenome EV.
- Concepção: o novo Captiva EV tem forte origem chinesa, derivado do Wuling Starlight S, projeto da joint venture SGMW (SAIC, GM e Wuling).
Esses dois exemplos mostram tendências recorrentes na indústria: reaproveitar marcas reconhecidas reduz o esforço de posicionamento de um produto novo, ao mesmo tempo em que adapta expectativas do público — do motor V6 e do V8 clássico às soluções eletrificadas e parcerias globais atuais.
Em ambos os casos, a comparação entre gerações revela diferenças técnicas e comerciais claras: mudanças de arquitetura (combustão para elétrica), origens industriais distintas (projetos sul-coreanos versus derivação chinesa) e faixas de preço que aproximam, curiosamente, modelos clássicos muito valorizados no mercado de usados dos valores de entrada de versões zero-quilômetro modernas.




























