Stellantis pediu patente no INPI de um sistema embarcado que analisa a ECU para identificar indícios de combustível adulterado. Ao detectar anomalias pós-abastecimento, pode enviar a localização do posto à ANP.
A Stellantis protocolou junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) um pedido de patente para um sistema embarcado capaz de identificar indícios de combustível adulterado no próprio veículo e comunicar a localização do posto onde ocorreu o abastecimento à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A tecnologia se baseia na leitura de parâmetros da central de injeção eletrônica (ECU) para detectar alterações no comportamento do motor após o reabastecimento. Quando o sistema identifica sinais compatíveis com problemas na qualidade do combustível — como falhas de combustão, variação irregular de rotações ou anomalias em sensores relacionados à mistura ar-combustível — ele cruza esses dados com as coordenadas do GPS do veículo para apontar o posto abastecedor.
Na proposta, o painel de instrumentos exibe um alerta orientando o motorista a evitar o uso prolongado do veículo até que seja feita uma avaliação técnica. Em paralelo, a conectividade do automóvel poderá gerar um relatório com dados técnicos e a localização do posto para envio à ANP, com o objetivo de subsidiar fiscalizações e investigações.
O sistema foi concebido como um mecanismo de detecção preventiva e não como prova definitiva de fraude. A identificação de uma anomalia no funcionamento do motor não comprova, por si só, a adulteração do combustível nem responsabiliza automaticamente o estabelecimento: a confirmação depende de análises laboratoriais adicionais em amostras colhidas e procedimentos de fiscalização.
Do ponto de vista técnico e de pós-venda, porém, a informação sobre o local do abastecimento pode acelerar a investigação de causas e a reivindicação de reparos. Combustíveis contaminados com água ou solventes inadequados provocam falhas de combustão e podem danificar componentes sensíveis, como bombas de combustível e injetores, elevando custos de manutenção e tempo de indisponibilidade do veículo.
O histórico recente do país em casos de adulteração é citado no pedido: em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto apontou fraudes em mais de 300 postos, com amostras de gasolina contendo até 90% de metanol, enquanto o limite legal é de 0,5%. Em contrapartida, a ANP informou que 98,1% das amostras analisadas em 2024 estavam dentro das especificações.
Por se tratar de um pedido de patente, o projeto seguirá a tramitação regular no INPI antes de qualquer decisão sobre produção em série. A empresa não anunciou datas de lançamento nem informou quais modelos poderão receber a tecnologia caso ela avance para integração comercial.





