Arnaud Belloni afirmou no Salão de Paris que as revisões bienais do Euro NCAP deixam compradores 'totalmente perdidos'. Para o executivo, mudar critérios a cada dois anos torna notas de segurança inconsistentes.
O novo CEO da Fiat, Arnaud Belloni, criticou publicamente a sequência de alterações nos critérios de avaliação do Euro NCAP e afirmou que isso deixa os consumidores desorientados diante das notas de segurança. A declaração foi feita em entrevista durante o Salão de Paris, onde o executivo consolidou a posição da Fiat, da Abarth e da Lancia, cargos que ocupa desde setembro.
“totalmente perdidos”
Segundo o executivo, a revisão constante dos protocolos é uma das principais causas do problema: o Euro NCAP estaria mudando as regras a cada dois anos, o que faz com que um veículo avaliado com cinco estrelas em um ciclo passe a ter três e depois duas estrelas em reavaliações subsequentes. Belloni destacou sua experiência de três décadas e meia no setor ao questionar o peso que as montadoras dão às avaliações.
O texto publicado também lembra que, neste ano, o Euro NCAP endureceu os testes e passou a exigir itens como botões físicos para comandos essenciais, além de outros requisitos técnicos. As notas agora têm validade de até seis anos, segundo a descrição presente na matéria original.
O exemplo da própria Fiat ilustra o efeito dessas mudanças: o Punto recebeu cinco estrelas quando foi lançado em 2005, mas ao ser reavaliado em 2017 tornou-se o primeiro carro a receber zero estrela na história do Euro NCAP, em grande parte pela ausência de frenagem automática de emergência. O Panda teve trajetória semelhante no ano seguinte.
No contexto latino-americano, o caso do Latin NCAP também é lembrado: o Argo e o Cronos receberam três estrelas para ocupantes adultos e quatro para crianças em 2019; reavaliados em 2021 com protocolo mais rigoroso, passaram a registrar zero estrela.
As declarações do CEO ocorrem em paralelo ao desenvolvimento de um carro elétrico compacto de baixo custo pela Fiat, projetado para atender a uma nova categoria de modelos pequenos que a União Europeia está criando. Para reduzir custos, o projeto pode adotar sistemas de segurança e assistentes de condução mais simples, alternativa que tende a influenciar seu desempenho em testes de avaliação.
Questionado sobre a possibilidade de aceitar uma nota inferior em nome do preço, Belloni disse que a indústria automotiva evoluiu mais do que qualquer outra nos últimos 30 anos e que os clientes têm consciência dessa evolução.





