Executivo global de design da Volkswagen criticou grades enormes e faróis estreitos, afirmando que transmitem sensação de ameaça. Ele disse não querer carros que pareçam 'feitos para matar zumbis'.
O chefe global de design do Grupo Volkswagen fez críticas diretas à tendência de frentes agressivas nos automóveis e defendeu uma linguagem de desenho mais acessível para a marca. Em tom crítico, ele resumiu a sua posição ao apontar o efeito que esses projetos causam na percepção do condutor e no comportamento do tráfego.
“não quer viver em um mundo com carros que parecem ter sido desenhados para matar zumbis.”
O executivo classificou a moda das grades enormes e dos faróis estreitos como sem sentido e avaliou que há um cálculo por trás desses elementos: eles transmitem uma sensação de ameaça, levando motoristas que vêm atrás a ceder a faixa por perceberem algo aparentemente mais rápido ou mais imponente no retrovisor. A crítica incluiu um exemplo prático com o Audi A1, cujo desenho tenso do compacto pode induzir engano sobre sua velocidade e dimensão ao observador.
“sem sentido”
“Você pode achar que é o mais forte, mas, se não é, isso é sem sentido”
Internamente, a avaliação foi igualmente direta em relação a modelos anteriores do próprio grupo. Sobre o ID.3 antes do facelift, ele afirmou que o carro não parecia um Volkswagen autêntico, que o DNA da marca não era perceptível e que o veículo poderia ser confundido com o de outra fabricante. A admissão considera que os primeiros modelos da família ID foram propositalmente futuristas para marcar ruptura, mas que, na visão atual do design, aquela aposta foi longe demais.
“o carro não parece um Volkswagen de verdade, que não se vê o DNA da marca nele e que ele poderia perfeitamente ser de outra fabricante.”
O ID.3 Neo, recém-lançado, e o ID. Polo foram apontados como correções de rota: ambos evitam sinais óbvios que denunciem a motorização elétrica e recuperam comandos físicos, abandonando barras sensíveis ao toque após anos de queixas de usuários. O ID. Polo foi destacado como o primeiro Volkswagen concebido integralmente segundo a nova linguagem batizada de Pure Positive, que recupera elementos históricos do desenho da marca — como a bolha sobre as caixas de roda dianteiras, remete ao Fusca, e lanternas traseiras em círculos completos.
O executivo também observou que a diretriz de um rosto mais amigável não se aplicará a todas as marcas do conglomerado: em nomes como Lamborghini e Cupra, a personalidade e a agressividade estética continuarão a fazer sentido. Por fim, ele relacionou o posicionamento visual à transição para a mobilidade elétrica, defendendo que o carro elétrico não precisa anunciar sua diferença visualmente e que a migração dos consumidores para a eletrificação deve ser motivada por fatores objetivos como o preço do combustível, e não por pressão moral entre motoristas.





