Projeto de lei nos EUA quer proibir venda de veículos de empresas com mais de 15% de controle chinês. A Mercedes-Benz acumula cerca de 19,67% vinculados à BAIC (9,98%) e a Li Shufu/Geely (9,69%).
Um projeto de lei norte-americano que pretende restringir a venda de veículos com participação chinesa entrou em foco por colocar potencialmente a Mercedes-Benz na mira das novas regras. O texto inclui um dispositivo que proibiria empresas com mais de 15% de participação chinesa de comercializar veículos nos Estados Unidos, e as fatias acionárias atualmente registradas na montadora alemã somam quase 20%.
Atualmente, a estatal BAIC detém 9,98% da Mercedes-Benz como maior acionista individual, e o empresário Li Shufu, por meio de investimentos ligados à Geely, controla outros 9,69%. Somadas, essas participações alcançam cerca de 19,67%, acima do limite estipulado no dispositivo em questão.
“Não vamos ter o presidente dos Estados Unidos assinando um projeto de lei, nem ele assinaria, que bane a Mercedes-Benz dos Estados Unidos da América”
A declaração acima foi atribuída a um dos autores do projeto, que também observou a necessidade de encontrar uma forma de administrar a redução dessas participações sem prejudicar a própria empresa. O projeto é de autoria conjunta entre um senador republicano e uma senadora democrata.
Além da Mercedes-Benz, outras marcas seriam afetadas pela proposta. A Volvo é controlada majoritariamente pela Geely, o que a colocaria automaticamente no alcance das restrições. A Aston Martin também seria atingida, já que a Geely possui 17% da fabricante britânica.
O texto, batizado de Connected Vehicle Security Act, foi apresentado em abril e amplia uma regra já adotada na administração anterior, cuja aplicação já dificultou a entrada de veículos de origem chinesa no mercado americano. A proposta proíbe importação, fabricação e venda de veículos com hardware e software de origem chinesa, com o argumento de segurança nacional.
“[Carros chineses são] pacotes de vigilância sobre rodas”
Em julho, quando a proposta foi aprovada pela Comissão de Comércio do Senado, foi informado que as restrições só entrariam em vigor em 2030 e que existiria um processo de pedidos de isenção. Na mesma época, a Mercedes-Benz passou a pressionar parlamentares para flexibilizar pontos do texto.
Houve tentativa de aprovar o projeto em regime de urgência antes do recesso do Senado, mas faltou o consentimento unânime necessário. Um senador do mesmo partido manifestou oposição, qualificando o projeto como um ataque injusto à Mercedes-Benz e condicionando sua retirada de objeção à exclusão da montadora do alcance da lei. Diante do impasse, a votação ficou prevista para após as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
O autor republicano do projeto tem vínculos comerciais com a marca: foi proprietário de uma concessionária Mercedes-Benz em Ohio, vendida em 2019, e seu filho é sócio de uma nova revenda no mesmo estado.





