Mesmo com a geometria correta, folgas em buchas, pivôs, terminais ou braços podem deslocar as rodas após impactos. Buracos e meio-fio deformam peças e provocam desgaste irregular dos pneus.
Um carro pode sair da oficina com a geometria dentro da especificação e, pouco tempo depois, voltar a apresentar o volante fora do centro ou desgaste irregular dos pneus. Quando isso acontece, o problema nem sempre está no alinhamento: componentes da suspensão e da direção podem alterar a posição das rodas mesmo depois do ajuste.
Buchas, pivôs, terminais, barras de direção e braços de suspensão podem apresentar folgas ou deformações que modificam os ângulos das rodas. Impactos em buracos ou meio-fio estão entre as situações que podem deformar esses componentes e provocar alteração na geometria.
Molas também interferem na altura da suspensão. Quando estão deformadas, quebradas ou foram substituídas por componentes fora da especificação, a altura do conjunto pode mudar e, dependendo do projeto, essa variação pode alterar ângulos como cambagem e convergência.
Volante fora do centro, carro puxando para um lado e desgaste irregular dos pneus são sintomas que podem ter origem tanto em leitura incorreta da geometria quanto em componentes da suspensão e da direção. Puxar para um lado também pode estar ligado a diferenças de pressão entre os pneus ou a problemas no sistema de freios.
Ruídos ao passar por buracos e lombadas ou sensação de folga na direção são sinais que indicam a necessidade de inspecionar o conjunto antes de qualquer ajuste de alinhamento. Como os sintomas se sobrepõem, a distinção depende da inspeção física da suspensão e da direção, e não apenas da leitura do equipamento de alinhamento com o carro parado.
Quando os valores não se mantêm após o ajuste, as causas mais comuns são componentes com folga ou desgaste, peças deformadas ou danificadas que não foram identificadas antes do serviço ou um novo impacto após o ajuste. Montagem inadequada, uso de peça fora da especificação e alteração na altura da suspensão também explicam por que o carro perde a referência da geometria pouco depois do serviço.
Dependendo do tipo e da intensidade da folga, o defeito pode não aparecer na medição feita com o veículo estacionado. Se houver folga ou deformação, o componente precisa ser reparado ou substituído antes de um novo alinhamento.
Nem todo defeito de suspensão afeta a geometria. Um amortecedor com perda de eficiência compromete o controle dos movimentos da carroceria e a aderência dos pneus, mas não necessariamente muda os ângulos medidos no alinhamento. A situação pode ser diferente em projetos em que o conjunto do amortecedor participa do posicionamento da roda: uma deformação no conjunto ou em seus pontos de fixação, por exemplo após um impacto, pode alterar a cambagem.
Antes do ajuste, a oficina deve analisar folgas em buchas, pivôs e terminais, checar componentes deformados, verificar sinais de impacto e avaliar o estado das molas. A pressão e a condição dos pneus também entram na verificação e podem explicar comportamento de puxar para um lado mesmo com geometria aparentemente correta.




