General Motors adotará plataformas de IA para encurtar o ciclo de engenharia e acompanhar rivais chineses como BYD e Xiaomi. A mudança visa lançar modelos mais rápido em mercados globais e acelerar avanços em baterias.
A General Motors anunciou uma mudança profunda em seus processos de engenharia com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novos veículos e reagir ao ritmo rápido de concorrentes chinesas como BYD, Geely e Xiaomi. A fabricante informou que passará a utilizar plataformas de inteligência artificial para reduzir o tempo de criação de um modelo de quatro para apenas dois anos, buscando agilidade e competitividade diante da expansão de modelos asiáticos em mercados da Ásia, Europa, Oriente Médio e América Latina, além de mercados vizinhos como Canadá e México.
Na área de baterias, engenheiros da marca recorreram a sistemas inteligentes capazes de analisar trezentas mil combinações químicas possíveis em tempo recorde. A análise em grande escala permitirá acelerar ciclos de iteração de química e design de células, com o objetivo declarado de equiparar os custos das baterias aos dos motores a combustão sem sacrificar autonomia. Essas simulações são parte da estratégia para reduzir tempo e custo de desenvolvimento de powertrains elétricos.
Além de otimizar desenvolvimento químico, a empresa planeja unificar os múltiplos módulos de processamento embarcado em um único computador centralizado. Essa arquitetura reduz complexidade do chicote elétrico, diminui custos de produção e mitiga a exposição a interrupções na cadeia de semicondutores, ao simplificar a eletrônica do veículo e concentrar funções em um domínio centralizado de computação.
A arquitetura eletrônica centralizada também dará suporte a sistemas avançados de assistência ao motorista. A montadora estabeleceu a meta de oferecer até 2028 uma tecnologia de direção autônoma que permitirá aos condutores tirarem os olhos da estrada em rodovias divididas. Esse recurso tem estreia marcada no SUV elétrico Cadillac Escalade IQ antes de se expandir para as demais linhas de veículos da empresa.
Mesmo com essa transformação tecnológica, a General Motors lida com o desafio de ampliar sua fatia no segmento eletrificado, onde atualmente detém uma participação minoritária nos Estados Unidos, mercado liderado pela Tesla. Sob a liderança da executiva Mary Barra, a montadora busca se adaptar às novas realidades regulatórias e econômicas para assegurar sua relevância no cenário automotivo internacional dos próximos anos, diante da forte concorrência externa.
O movimento combina aceleração de P&D com mudanças na arquitetura elétrica e foco em software e computação centralizada, estratégia que terá impacto na cadeia de fornecedores, no custo final dos veículos e na velocidade de lançamento de produtos. A meta de compressão do ciclo de quatro para dois anos sinaliza uma reordenação dos processos internos para atender a um mercado global cada vez mais competitivo e orientado por inovação tecnológica.





