O único Hofstetter Turbo automático, de 1986, do acervo do museu Dream Car, venceu na AutoClásica em San Isidro. Veio de São Roque (SP) e tornou-se o primeiro projeto brasileiro premiado internacionalmente.
Direto de São Roque (SP) para San Isidro, na Argentina. O único Hofstetter Turbo automático, fabricado em 1986, acaba de fazer história na AutoClásica, prestigiado evento de carros antigos que encerra sua edição 2026 neste dia 12 de outubro. O esportivo, pertencente ao acervo do museu paulista Dream Car, tornou-se o primeiro automóvel de projeto nacional a ser premiado em um concurso internacional dessa magnitude.
Para compor a mostra argentina, o museu também enviou uma unidade do Concorde. Com 5,20 m de comprimento e motor V8 4.9 proveniente dos Ford Galaxie/Landau, o Concorde tem design inspirado nos clássicos dos anos 1930. A unidade em exposição apresenta chassi número 008, ano de fabricação 1979, e faz parte de um lote restrito de 25 exemplares produzidos artesanalmente no interior de São Paulo entre 1976 e 1985.
O grande protagonista da premiação na Argentina foi o Hofstetter Turbo, apelidado em algumas ocasiões de “Lamborghini brasileiro”. A silhueta em forma de cunha e as portas asa de gaivota começaram a tomar forma no Natal de 1973, quando Mário Richard Hofstetter, então com 16 anos, decidiu desenhar seu próprio carro. O projeto foi influenciado pelo conceito Alfa Romeo Carabo, assinado por Marcello Gandini, com referências adicionais do Maserati Boomerang e do BMW E25 Turbo. O primeiro molde da carroceria em fibra de vidro foi construído na garagem da família, a partir de compensados de madeira adquiridos após a venda de um kart.
Do ponto de vista construtivo, o Hofstetter adotou soluções práticas e de integração de componentes disponíveis na época: chassi tubular do tipo espinha dorsal que agregava motor, câmbio, subchassi e suspensão traseira do Volkswagen Passat; caixa de direção e freios dianteiros vinham do Chevrolet Chevette. Volante oval, bancos com desenho próprio e painel digital fornecido pela PPA eram detalhes de acabamento que ressaltavam a proposta esportiva e tecnológica do modelo.
A unidade premiada trazia uma peculiaridade histórica: foi o único dos 18 exemplares produzidos a sair de fábrica com câmbio automático. O conjunto mecânico padrão, apresentado no Salão de 1984, utilizava caixa manual de quatro marchas e motor Volkswagen AP 1.8 movido a álcool. Com turbocompressor, esse arranjo rendia 140 cv e 21 kgfm, garantindo aceleração de 0 a 100 km/h em 9,3 s e velocidade máxima de 196 km/h.
Em 1987 a fabricante evoluiu a mecânica para um motor 2.0 turbo capaz de gerar 210 cv, permitindo ao esportivo superar os 200 km/h. As exclusivas rodas de liga leve eram fabricadas pela Scorro. Apesar da ousadia técnica e do porte artesanal, a produção da Hofstetter não resistiu à abertura do mercado brasileiro no início dos anos 1990: consumidores de alto padrão migraram para superesportivos importados e a produção foi encerrada definitivamente em 1992.
Após a exposição na AutoClásica 2026, o Hofstetter e o Concorde retornarão ao acervo do Dream Car, onde poderão ser contemplados e fotografados pelos visitantes.












