O modelo soma 1.375 emplacamentos até setembro, enquanto a marca registra 128 reclamações e nota 6,8 na plataforma. Consumidores relatam entraves nas vendas por lotes e falhas no pós-venda pela rede limitada.
A CFMOTO Ibex 450 é o modelo mais comercializado da marca no Brasil, com 1.375 unidades emplacadas até setembro, segundo dados citados na cobertura. Ao mesmo tempo, a trail chinesa concentra a maior parte das reclamações contra a marca em plataforma de defesa do consumidor, onde a CFMOTO aparece com reputação considerada “Regular” e nota 6,8.
Da análise das reclamações registradas, duas frentes se destacam: problemas no processo de compra por lotes e dificuldades no pós‑venda, em especial pela limitação da rede autorizada. Das 128 reclamações registradas para a marca, apenas 17 (13,28%) foram classificadas como problemas de “baixa qualidade”, e nem todos se referem exclusivamente à Ibex 450. Ainda assim, o volume de queixas permite mapear as principais frentes de conflito entre consumidores e fabricante.
O processo de comercialização é feito por lotes, com reserva pelo site mediante pagamento de sinal de R$ 2.000 via Pix. Consumidores relatam que os lotes se esgotam em poucos minutos e que, desde julho, o QR Code do Pix nem sempre é gerado no momento do pagamento, o que faz perder a pré‑reserva. Um lote programado para 5 de outubro foi adiado devido a uma falha no banco de dados, segundo relatos de compradores.
Em resposta formal, a CFMOTO atribuiu parte das falhas ao volume de acessos simultâneos e ressaltou o mecanismo de confirmação por pagamento dentro do prazo. A empresa também informou que não opera com fila de espera e que as unidades são vendidas apenas em lotes pelo site oficial, afirmação que explica o surgimento de mercado paralelo com revenda acima do preço sugerido: consumidores relataram anúncios de revenda por mais de R$ 40.000, frente ao preço oficial de R$ 35.990.
a imensa maioria das reclamações que recebemos não se refere a defeitos de produto ou a problemas de pós‑venda
No pós‑venda, a reclamação mais recorrente remete à concentração de concessionárias autorizadas. O termo de garantia exige revisões na rede oficial, que hoje está presente em apenas oito cidades: São Paulo, Campinas e Piracicaba (SP); Rio de Janeiro (RJ); Curitiba (PR); Florianópolis (SC); Porto Alegre e Caxias do Sul (RS). Consumidores de localidades como Sete Lagoas (MG) relatam a necessidade de deslocamentos de cerca de 600 km para cumprir a exigência e manter a garantia.
Em um caso, cliente de Adrianópolis (PR) recebeu a moto em 4 de setembro após reservar no terceiro lote em 27 de julho e registrou vazamento de óleo nos primeiros 50 km de uma viagem de 968 km. A revisão de 1.000 km, realizada em 11 de setembro, documentou falha em uma mangueira de óleo; a concessionária reteve a moto em 18 de setembro e, até 7 de outubro, a peça ainda não havia chegado da fábrica, levando o consumidor a considerar a devolução. O Código de Defesa do Consumidor prevê 30 dias para solução de vício, após os quais cabem troca, devolução ou abatimento.
Outro proprietário, em Governador Valadares (MG), relatou corrosão no tubo interno da bengala dianteira com cerca de 1.500 km. A inspeção por oficina não autorizada teria lustrado a peça, e a marca negou a substituição em garantia, classificando a mancha como localizada e sem sinais de falha na cromagem, além de apontar alteração da superfície por intervenção externa.
poderá impactar a cobertura da garantia
Os casos reunidos indicam que, apesar da adoção de um modelo de vendas que gerou grande procura, a tensão entre demanda, logística de distribuição de lotes e cobertura de pós‑venda tem sido o principal vetor das reclamações. À medida que mais unidades chegam às ruas, a experiência de propriedade e a capacidade da rede autorizada de atender prazos e reposição de peças deverão seguir como indicadores centrais para a avaliação da marca no mercado brasileiro.





