Leitor questionou qual combustível vale para homologação e etiquetagem em carros flex. Normas do PBEV e da ABNT definem os combustíveis e parâmetros usados nos ensaios para simular abastecimento.
Quando o teste de emissões é feito em um carro flex, surge a dúvida sobre qual combustível é considerado para fins de homologação e etiquetagem. A pergunta partiu de Maurício Rotundo, de Jales (SP), e o esclarecimento segue as normas aplicáveis ao Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) e aos ensaios de conformidade.
As regras que definem os combustíveis e as condições de ensaio para testes de consumo e emissões no Brasil são elaboradas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Para definir as propriedades físico‑químicas dos combustíveis usados nos ensaios oficiais, a ABNT se baseia nas resoluções da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo a explicação do diretor de Avaliação da Conformidade do Inmetro, os testes em veículos bicombustíveis (flex) são realizados com gasool, também conhecido como gasohol, ou seja, uma mistura de gasolina e etanol. O objetivo dessa escolha é reproduzir o cenário real de abastecimento praticado pelos motoristas, em vez de empregar exclusivamente um dos combustíveis componentes.
A gasolina utilizada nos ensaios segue os parâmetros da Resolução ANP nº 6/2005. O etanol que compõe a mistura pode ser do tipo anidro ou hidratado, conforme prevê a Resolução ANP nº 5/2005. Essas referências normativas determinam as especificações físico‑químicas que influenciam diretamente medições de emissões e desempenho nas células ou dinamômetros de teste.
Não existe, no texto normativo citado, uma porcentagem fixa determinada especificamente para a mistura aplicada em veículos bicombustíveis nos ensaios do Inmetro. Em contrapartida, quando o ensaio é realizado exclusivamente para um veículo a gasolina, utiliza‑se a proporção de 78% de gasolina e 22% de etanol, correspondendo ao chamado E22. A mistura usada para configurar o gasool em ensaios de flex pode superar esse parâmetro e também difere da gasolina comercial disponível nos postos.
Vale observar que a gasolina vendida nos postos brasileiros pode conter até 32% de etanol em sua formulação (E32) desde agosto. Essa variação de composição no combustível comercial é relevante na comparação entre resultados de laboratório e emissões em condições de uso real.
Em resumo, para fins de avaliação de emissões e de etiquetagem veicular no PBEV, o Inmetro adota o gasool em testes de veículos flex, seguindo especificações da ANP e normas elaboradas pela ABNT, com o objetivo de simular o abastecimento efetivo praticado pelos consumidores.





