A chinesa GAC conquistou o prêmio máximo do 51º Salão Internacional de Invenções de Genebra, na Suíça, com um projeto de motor elétrico que reduz perdas de energia no estator. O trabalho foi desenvolvido em parceria com uma instituição não identificada pela montadora e recebeu a Medalha de Ouro com os Parabéns do Júri, distinção que exige voto unânime entre os ganhadores de ouro. O motor já equipava modelos da linha Aion vendidos na China.
Apesar do nome, o evento não tem relação com o Salão do Automóvel de Genebra. Realizada desde 1973, a exposição reuniu inventores, universidades e empresas de diversas áreas e premiou tecnologias com aplicação industrial.
O diferencial técnico do projeto está no estator. Todo motor elétrico tem uma parte fixa, o estator, e uma parte móvel, o rotor. No estator, bobinas geram um campo magnético que faz o rotor girar; em processo de comutação rápida parte da energia é dissipada no núcleo do estator na forma de calor. Tradicionalmente esse núcleo é constituído por chapas de aço-silício empilhadas, que apresentam perdas magnéticas relevantes quando o campo muda de sentido centenas de vezes por segundo.
A solução premiada substituiu o aço convencional por uma liga amorfa — um material metálico resfriado tão rapidamente que a estrutura atômica não chega a formar cristais, ficando semelhante ao vidro. Esse material apresenta menor perda magnética, mas é mais frágil e difícil de processar. A GAC adotou lâminas com 0,025 mm de espessura, mais finas que um fio de cabelo, e desenvolveu técnicas de fabricação de precisão que permitiram o uso da liga amorfa em escala industrial, o que foi reconhecido pelo júri.
O novo estator integra o sistema Quark Electric Drive 2.0, que combina a liga amorfa com um rotor em fibra de carbono. Segundo a GAC, o conjunto atinge eficiência máxima de 99,03%, o que representa perda inferior a 1% no ponto ótimo de operação. O dado foi certificado em 2025 pelo instituto chinês de pesquisa automotiva CAERI. Considerando o conjunto completo, a eficiência média no ciclo de testes chinês CLTC é de 94,184%.
Em termos práticos, a fabricante afirmou que a tecnologia acrescenta de 30 km a 50 km de autonomia sem aumentar a capacidade da bateria, embora não tenha informado com qual versão anterior essa comparação foi feita. Ganhar alcance via eficiência do motor evita aumento de peso e custo, aspecto relevante em um mercado chinês competitivo por preço e autonomia.
O motor já equipou o Aion N60 e as versões 2027 do Aion RT e do Aion i60. A GAC informou que pretende estender a tecnologia a outros modelos à medida que a produção aumentar, sem divulgar volumes nem custos. A marca comercializa carros no Brasil, mas não informou se o novo motor será oferecido nos modelos disponíveis no país.
O reconhecimento em Genebra reforça a aposta em materiais avançados e processos de fabricação de alta precisão para reduzir perdas elétricas em veículos elétricos, estratégia que busca melhorar autonomia sem recorrer ao aumento de capacidade de baterias.





