UE e China fecharam acordo que limita por quatro anos a entrada de híbridos chineses, com início possível em 1º de dezembro. O limite começa em 350 mil unidades e sobe 6% ao ano; vale para híbridos convencionais e plug-in.
A União Europeia vai estabelecer um teto temporário para a entrada de carros híbridos fabricados na China, com duração de quatro anos, após acordo firmado com Pequim na última sexta-feira (9). O mecanismo pretende frear o avanço de marcas chinesas no segmento de híbridos convencionais e plug-in, que são recarregáveis na tomada.
O acordo prevê um limite inicial de 350 mil unidades por ano, com um aumento fixo de 6% ao ano a partir do segundo ano. A medida pode começar a valer em 1º de dezembro e será aplicada de forma a respeitar as regras da OMC: o teto incidirá sobre as importações independentemente do país de origem, mas a cota atribuída à China não poderá ser inferior à de qualquer outro exportador.
O recuo na entrada de híbridos chineses responde à evolução das vendas desde que os veículos 100% elétricos chineses passaram a ser alvo de tarifas aplicadas pela UE em 2024; os híbridos ficaram fora desse regime e ganharam participação de mercado. Segundo a Acea, as marcas chinesas alcançaram 25% das vendas de híbridos plug-in no primeiro semestre, ante 2% em 2024. A UE calcula que cerca de 800 mil híbridos chineses desembarquem em solo europeu em 2026, mais do que o dobro do novo teto inicial.
Em contrapartida à limitação, Pequim deverá reduzir tarifas sobre determinados componentes automotivos europeus e cortar pela metade as taxas sobre produtos como calçados e azeite oriundos da UE. As concessões foram estimadas em aproximadamente R$ 24 bilhões (4 bilhões de euros) em exportações europeias.
No cenário regional, o Brasil adotou medida diferente: desde julho, híbridos e elétricos importados estão sujeitos a 35% de Imposto de Importação, alinhável à tributação de veículos a combustão. Montadoras chinesas como BYD e GWM já operam linhas de montagem no Brasil, estratégia que também está sendo seguida na Europa; os carros produzidos pela fábrica da BYD na Hungria não entram na cota prevista pelo acordo.
Bruxelas considera o atual déficit comercial com a China insustentável, estimado em mais de R$ 6 bilhões (1 bilhão de euros) por dia, enquanto Pequim rejeita alegações de concorrência desleal. O novo regime bilateral deverá redesenhar a dinâmica de importações de híbridos no mercado europeu e ter impacto direto nas estratégias industriais e comerciais das montadoras.





