Colocar óleo além do recomendado no motor faz mais mal do que bem. Especialista explica os riscos reais e por que esse erro comum pode custar caro.
O motor de um carro requer uma quantidade específica de lubrificante para operar de forma ideal. Quando a quantidade de óleo utilizada é inferior à recomendada pelo fabricante, isso pode resultar em uma série de problemas, como aumento do atrito entre as peças, desgaste excessivo e até superaquecimento do motor.
No entanto, a ideia de que a adição de óleo em excesso possa beneficiar o motor é um equívoco. Segundo Clayton Zabeu, engenheiro mecânico do Instituto Mauá de Tecnologia, a prática não melhora o resfriamento do motor nem reduz o atrito, mas pode provocar falhas de pressão, superaquecimento e até mesmo a diminuição do rendimento do veículo.
“Com óleo demais, biela e virabrequim, por exemplo, começam a bater nesse lubrificante e começam a formar espuma, que não é boa para o motor”, afirma Zabeu.
O engenheiro explica que a formação de espuma ocorre quando o excesso de óleo é succionado pelo pescador do sistema de lubrificação, o que pode resultar em problemas no controle de pressão da galeria de óleo. Quando isso acontece, componentes cruciais, como os do cabeçote, passam a operar com atrito elevado, levando ao desgaste excessivo das peças e a picos perigosos de temperatura.
Além disso, o atrito extra gerado pelo óleo em excesso também pode ter um custo significativo. Isso porque tal atrito consome parte da energia gerada pela combustão, forçando o motor a trabalhar mais para manter o mesmo nível de desempenho. Como consequência, a eficiência do motor diminui e o consumo de combustível aumenta, pois o veículo precisa superar a resistência criada pelo próprio lubrificante.
Um terceiro problema, embora menos comum em veículos modernos, diz respeito ao vazamento de óleo. Em motores mais antigos, que não possuem um circuito de óleo fechado, o excesso de lubrificante pode resultar em respingos para fora do sistema. O aumento da pressão no sistema pode forçar vedações, estourando retentores de válvulas e juntas, o que frequentemente leva a vazamentos externos graves ou à queima de óleo na câmara de combustão.
Para garantir a durabilidade e o funcionamento adequado do motor, a verificação do nível de óleo ainda é o método mais confiável. O ideal é que essa verificação seja feita com o veículo em uma superfície nivelada e o motor frio, assegurando que o nível do fluido esteja entre as indicações de mínimo e máximo, sem margem para erros.






