Uma tempestade elétrica interrompeu o jogo entre França e Iraque em Filadélfia por mais de duas horas. O protocolo acionado tem origem em tragédia da Nascar e foi aplicado pela primeira vez na Copa.
A interrupção por tempestades elétricas que travou por mais de duas horas o jogo entre França e Iraque, na noite de segunda-feira, em Filadélfia, tem uma origem surpreendente para quem acompanha a Copa do Mundo 2026: uma tragédia ocorrida na Nascar. Com a França liderando o placar por 1 a 0, após gol de Mbappé, a partida foi interrompida no intervalo devido a raios na região do Lincoln Financial Field — marcando a primeira paralisação por mau tempo da Copa.
O jogo foi retomado pouco depois das 20h, totalizando cerca de duas horas e dez minutos de espera. O protocolo de segurança que exigiu a interrupção é o mesmo que, desde a morte de um espectador atingido por um raio em um autódromo americano em 2012, passou a ser rigorosamente aplicado nos grandes eventos esportivos nos Estados Unidos.
O princípio deste protocolo é simples e rigoroso: se um raio é detectado a uma distância de até oito milhas (cerca de 13 km) do estádio, a partida deve ser interrompida por um mínimo de 30 minutos. Caso novas descargas elétricas sejam registradas dentro desse perímetro durante esse tempo, o cronômetro é zerado, e o ciclo recomeça até que a tempestade cesse. Portanto, não é a intensidade da chuva que determina a paralisação, mas sim a atividade elétrica.
A FIFA declarou que não contestará o protocolo, afirmando que seguirá as diretrizes de segurança estabelecidas pelas autoridades locais e que os jogos serão retomados assim que a situação for considerada segura.
A origem dessa regra remonta a um trágico incidente no automobilismo. Em 5 de agosto de 2012, durante uma etapa da NASCAR em Pocono, na Pensilvânia, o torcedor Brian Zimmerman, de 41 anos, foi morto por um raio enquanto estava no estacionamento da pista; outras nove pessoas ficaram feridas. A corrida foi interrompida apenas 42 minutos após os avisos de tempestade terem sido emitidos.
Esse episódio levou os órgãos do automobilismo dos EUA, reunidos no ACCUS-FIA — que abrange NASCAR, IndyCar, IMSA e NHRA — a adotar regras de segurança relacionadas a raios, alinhadas às de outros esportes, mantendo o mesmo perímetro de oito milhas para esvaziar as arquibancadas. Vale destacar que a “regra dos 30-30” do Serviço Nacional de Meteorologia já existia como uma recomendação geral — buscar abrigo por pelo menos 30 minutos. O incidente em Pocono apenas acelerou a adoção formal desse protocolo.
Para a Copa, o risco de interrupções é real, uma vez que o torneio ocorre no auge da temporada de tempestades no Hemisfério Norte. Não é a primeira vez que isso acontece: no Mundial de Clubes de 2025, seis jogos foram afetados por tempestades elétricas, incluindo um Chelsea x Benfica em Charlotte, que terminou quase quatro horas e meia após seu início.
Na mesma segunda-feira, o duelo entre Noruega e Senegal, em Nova Jersey, também estava sob risco de atraso devido ao tempo instável. Com sedes localizadas no sul e na costa leste dos EUA, regiões conhecidas pela alta incidência de raios, novas paralisações são esperadas ao longo da fase inicial do torneio e até mesmo na grande final, que ocorrerá em um campo aberto na região de Nova York-Nova Jersey.





