O governo argentino anunciou a eliminação do imposto de exportação para veículos produzidos no país, como o Fiat Titano, Ford Ranger e Toyota Hilux, a partir de julho de 2026. A alíquota de 4,5% cobrada sobre os carros enviados ao exterior será suspensa em uma medida temporária que se estenderá até junho de 2027. Essa decisão foi tomada em resposta a um pedido da Adefa, a associação das fabricantes de automóveis da Argentina, visando aumentar a competitividade do país em relação ao Brasil e aos automóveis chineses.
Diferentemente da maioria dos países produtores, que isentam bens exportados para evitar o encarecimento do produto final, a Argentina mantinha uma taxação incomum sobre itens automotivos. Com essa nova medida, o governo busca anular uma desvantagem histórica, ao invés de simplesmente oferecer um benefício comercial. As fabricantes esperam que a previsibilidade nas regras de exportação desbloqueie planos de produção e evite cortes de investimento no setor.
O mercado brasileiro é o principal foco dessa mudança, uma vez que absorve quase dois terços da produção argentina. O país se consolidou como o quarto maior produtor global de picapes médias, com modelos como a Toyota Hilux, Ford Ranger, Volkswagen Amarok e Fiat Titano saindo de suas linhas de montagem. Além disso, a futura Renault Niagara, prevista para ser lançada no fim do ano, também faz parte deste segmento.
A isenção do imposto visa fortalecer a competitividade das picapes, que há tempos dominam o mercado argentino. No entanto, a chegada de modelos asiáticos, com forte apelo de custo, forçou as montadoras a reavaliar suas estratégias de vendas. Além das picapes, o fluxo contínuo de automóveis de passeio, como o Fiat Cronos e os modelos Peugeot 208 e 2008, também depende dessa rota de exportação.
Apesar da redução tributária parecer um alívio para os consumidores que aguardam a compra de picapes mais acessíveis, a realidade nas concessionárias brasileiras pode ser um pouco diferente. A medida é mais um esforço para dar suporte à economia argentina do que um benefício direto ao consumidor local. O setor automotivo representa mais de 8% do PIB argentino e movimenta cerca de 9 bilhões de dólares anuais, o que equivale a aproximadamente R$ 48 bilhões. Com a produção apresentando queda no primeiro quadrimestre, a manutenção das exportações para o Brasil tornou-se crucial para evitar paralisações nas fábricas.
Além disso, o corte na alíquota de exportação é visto como um primeiro passo pelas montadoras, que agora pressionam províncias e municípios a eliminarem taxas locais sobre a renda bruta. A carga tributária total sobre veículos exportados pode alcançar até 15%, um patamar elevado se comparado aos 3% aplicados pelo Brasil, que atua simultaneamente como parceiro e principal concorrente industrial na região.







