A Rússia enfrenta uma significativa crise de abastecimento de combustíveis, que já impacta a aviação civil. Com a escassez e o aumento nos preços da gasolina de aviação, operadores de aeronaves leves começaram a testar o uso de gasolina automotiva comum em seus motores. Essa alternativa, embora considerada arriscada por especialistas, é uma resposta à situação crítica, conforme relatado por publicações locais.
Os testes incluem voos de demonstração e algumas empresas optaram por substituir motores Rotax-912 por versões chinesas, os modelos C100, que têm a capacidade de operar com gasolina de menor octanagem, como a Euro-3. Até o momento, os primeiros resultados não indicaram danos imediatos ao desempenho dos motores, mas o tempo de voo acumulado ainda é considerado insuficiente para tirar conclusões definitivas sobre a viabilidade dessa prática.
O combustível destinado à aviação normalmente possui uma octanagem superior, em geral em torno de 100, e é formulado especificamente para suportar baixas temperaturas e grandes altitudes. Em contrapartida, a gasolina comum, que apresenta uma octanagem inferior, aumenta o risco de detonação dentro dos motores, um fenômeno que pode resultar na redução da potência, acelerar o desgaste do sistema de escapamento e, em casos extremos, levar a falhas durante o voo.
A escassez de combustível é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo os altos custos da guerra, sanções internacionais e ataques ucranianos às infraestruturas energéticas da Rússia. Nos últimos meses, drones ucranianos têm atingido refinarias e instalações estratégicas, o que tem pressionado ainda mais a produção e distribuição de combustíveis. Para preservar os estoques internos, o governo russo implementou uma proibição à exportação de gasolina até o final de julho e do combustível de aviação até o fim de novembro, além de flexibilizar os padrões de qualidade, permitindo gasolina com teor de enxofre muito acima dos limites ambientais estabelecidos.
A pequena aviação, que depende fortemente do combustível, está sob pressão, sendo que o custo do combustível pode representar mais de um terço dos custos operacionais. A associação que representa os operadores do Antonov An-2, um biplano de origem soviética com 853 unidades registradas, solicitou ao Ministério dos Transportes a regulação estatal dos preços do querosene e da gasolina de aviação. Desde o início do ano, os preços do querosene de aviação aumentaram cerca de 41%, e em algumas regiões, as reservas de gasolina para aeronaves devem durar entre um e um mês e meio.
Além dos desafios relacionados ao abastecimento, a aviação civil russa enfrenta dificuldades para manter sua frota em operação devido às sanções internacionais, que restringem o acesso a peças, componentes e serviços de manutenção. Em resposta a essa situação crítica, as autoridades estão considerando a possibilidade de recolocar em operação até 700 aeronaves An-2 da era soviética que estavam paradas, após a falha em desenvolver um substituto moderno para esses modelos.





