Durante décadas, o desenvolvimento de hipercarros concentrou-se em aumentar a potência, otimizar a aerodinâmica e incorporar tecnologia de ponta. A startup holandesa Sanrivatti, fundada por Santiago Sánchez Rivero, de apenas 23 anos, que possui experiência na Donkervoort, decidiu abordar um aspecto diferente: a posição do motorista. O objetivo é posicionar o condutor como um piloto de MotoGP, oferecendo uma experiência de condução única.
A proposta inovadora da Sanrivatti é chamada de “apex position”. Ao invés da ergonomia tradicional de um cupê com motor central, o motorista ocupa o centro do cockpit, deitado e inclinado para a frente, com os pés recuados e as pernas posicionadas ao lado do túnel central. Essa postura se assemelha mais à de um motociclista que a de um motorista convencional, e o veículo será um monoposto, sem espaço para um passageiro.
A marca enfatiza que a intenção é combinar a estabilidade proporcionada pelas quatro rodas com a conexão visceral encontrada em motocicletas, transformando o condutor em um participante ativo da dinâmica do carro.
“A pergunta nunca foi como criar mais potência ou velocidade, e sim como criar uma conexão mais profunda entre piloto e máquina”,
afirma Rivero, que ressalta que mesmo os carros mais avançados muitas vezes isolam o motorista por meio de camadas de arquitetura e eletrônica.
Apesar da juventude, a empresa conseguiu reunir um time de profissionais renomados no setor. Paul Arkesden, ex-chefe de engenharia da Singer e líder do programa do McLaren P1, está entre os nomes de peso, além de especialistas que já trabalharam em marcas como Bentley e Lotus. Arkesden destaca que a originalidade da proposta foi um fator decisivo para atrair a equipe, em um mercado que, segundo ele, tem se focado em refinar ideias já consagradas e raramente explora caminhos novos.
As primeiras imagens divulgadas mostram um carro com perfil em cunha, um canopy inspirado em caças, uma traseira musculosa e uma asa integrada. A Sanrivatti já está trabalhando em protótipos do veículo. Contudo, a viabilidade do conceito ainda é uma incógnita. A ergonomia automotiva é uma ciência estabelecida, e a transição para uma postura de “montaria” em uma cabine fechada pode apresentar desafios relacionados à visibilidade, segurança e à disposição de pedais e comandos. Atualmente, o projeto se apresenta mais como uma promessa do que como um produto tangível: não há informações sobre motorização, chassi, preço ou data de lançamento, e o hipercarro ainda não possui nome. Se a engenharia conseguir sustentar essa posição radical, a Sanrivatti poderá oferecer uma nova forma de dirigir; caso contrário, poderá se juntar à lista de projetos exóticos que não se concretizaram.





