Uma pesquisa internacional envolvendo mulheres de 33 países mostrou um descompasso entre a autoavaliação de suas habilidades ao volante e comportamentos que podem ser considerados perigosos. Segundo o levantamento, 97% das entrevistadas se consideram motoristas seguras e 94% afirmam dirigir com total concentração. No entanto, quase metade das participantes admitiu utilizar o celular enquanto dirige.
O estudo, realizado pela revista tcheca Zenavaute, especializada em temas relacionados a mulheres no trânsito, em parceria com a organização Women’s Worldwide Car of the Year (WWCOTY), entrevistou 1.720 mulheres por meio de um questionário online entre maio e junho deste ano. Os resultados foram divulgados em uma data emblemática: o Dia Internacional da Mulher Motorista, celebrado em 24 de junho. Apenas 3% das motoristas reconheceram que “às vezes dirigem de forma insegura”.
A percepção de segurança entre as motoristas, no entanto, é confrontada pelos próprios dados do estudo. Embora se considerem atentas, 48% das participantes relataram o uso do celular enquanto dirigem, enquanto 37% afirmaram que costumam comer ou beber durante a condução. Outros comportamentos citados incluem checar crianças no banco de trás e entregar lanches (18%), fumar ao volante (17%) e, em menor escala, retocar a maquiagem com o carro em movimento (5%).
O levantamento também revelou um paradoxo interessante entre gerações e hábitos. As mulheres com mais de 55 anos reportaram os maiores índices de atenção ao volante, com 58% mantendo o foco total. Em contraste, a faixa etária de 25 a 34 anos foi a mais propensa a se distrair enquanto dirige. Curiosamente, motoristas ocasionais tendem a se considerar mais concentradas: entre elas, 65% afirmam manter o foco total, em comparação com uma porcentagem menor entre aquelas que dirigem diariamente, que, por sua vez, demonstram quase unanimidade em sua confiança: 97% se julgam seguras ao volante.
O principal fator de estresse para essas motoristas não são os filhos ou passageiros, mas sim o comportamento de outros condutores, mencionado por 70% das entrevistadas, independente da faixa etária. Outros fatores estressantes incluem o trânsito intenso (51%), mau tempo e baixa visibilidade (36%), pressão do tempo (36%) e dificuldades para estacionar (34%).
Em relação à segurança das crianças, os números são mais positivos. Mais de 75% das mães afirmaram verificar frequentemente se as crianças estão corretamente presas nos assentos e a maioria se considera apta a instalar e ajustar as cadeirinhas. Além disso, dirigir com crianças no carro não é visto como uma fonte significativa de estresse, já que apenas cerca de um quarto das mães indicaram que a situação gera ansiedade.





