A MG Motor confirmou que desenvolverá veículos com tecnologia flex para o mercado brasileiro, ampliando sua estratégia no país para além dos modelos 100% elétricos. O anúncio foi feito na última quinta-feira (25), em Fortaleza, junto à confirmação da primeira linha de produção da marca na América do Sul, que funcionará na Pace (Planta Automotiva do Ceará), em Horizonte (CE), em parceria com a Comexport.
O projeto prevê um investimento total de R$ 400 milhões, sendo mais de R$ 60 milhões destinados à adaptação e modernização da linha de montagem, enquanto R$ 340 milhões serão alocados para pesquisa, desenvolvimento e inovação. A expectativa é produzir 50 mil veículos nos próximos quatro anos e gerar cerca de 600 empregos diretos e indiretos. A produção deve iniciar em outubro de 2026.
A manufatura nacional começará com o hatch elétrico MG4 Urban e o SUV MG S5, ambos totalmente elétricos. No entanto, o principal destaque é a confirmação de que a marca desenvolverá modelos flex, adaptados às necessidades do mercado brasileiro, numa segunda etapa do plano. Até o momento, a fabricante não informou quais veículos receberão esta tecnologia, nem se ela será aplicada a motores a combustão, híbridos convencionais ou híbridos plug-in.
A decisão representa uma adaptação às características do mercado nacional, onde o etanol continua sendo um aliado importante da eletrificação. Com a produção local, a MG também espera reduzir custos logísticos, ampliar a oferta e tornar seus modelos mais competitivos, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Embora a montadora não tenha detalhado a motorização, a revista Autoesporte aponta como prováveis candidatos dois conjuntos híbridos. Um deles seria um PHEV (plug-in), que combinaria um motor 1.5 turbo a uma máquina elétrica e a uma bateria de 24,7 kWh, resultando em potência combinada de 339 cv. O outro seria um HEV (híbrido pleno), unindo o mesmo motor 1.5, desta vez aspirado, a um motor elétrico de menor potência, totalizando 224 cv no conjunto.
Instalada em Horizonte, a Pace opera em modelo multimarcas e já abriga a produção de elétricos da General Motors, como o Chevrolet Spark EUV e o Captiva EV, desde o final de 2025. Controlada pela chinesa SAIC, que comercializou mais de 4,5 milhões de veículos em 2025, a MG vê o Brasil como um polo estratégico da eletrificação na América Latina.
A marca também anunciou investimentos em novas tecnologias de baterias, incluindo soluções semissólidas, para ampliar a autonomia e a densidade energética, embora ainda não haja previsão para a chegada dessas células ao país.





