A Honda alcançou um marco significativo na indústria motociclistica brasileira ao ultrapassar a marca de 10 milhões de motocicletas equipadas com tecnologia flex produzidas no país. O feito foi concretizado na metade de 2026, nas instalações da marca localizadas no Polo Industrial de Manaus (AM), onde são fabricadas todas as motos destinadas ao mercado nacional.
A introdução da tecnologia flex ocorreu em 2009, com o lançamento da CG 150 Titan Mix, que se destacou como a primeira motocicleta do mundo capaz de operar com gasolina, etanol ou qualquer mistura entre os dois combustíveis. Este avanço exigiu soluções de engenharia inovadoras, uma vez que as motocicletas apresentam limitações de espaço para componentes como subtanque, bomba e sensores que garantem a partida em condições frias. Assim, a Honda desenvolveu um sistema compacto de injeção e gestão eletrônica para atender a essas demandas.
Desde então, o sistema flex consolidou-se como um dos principais diferenciais da Honda, que atualmente lidera o mercado brasileiro de motocicletas. Aproximadamente 65% da linha de produtos fabricados no Brasil utiliza a tecnologia FlexOne, disponível em nove modelos que incluem a Biz 125, CB300F Twister, CG 160 Titan, CG 160 Fan, CG 160 Cargo, NXR 160 Bros, XRE 190, XRE 300 Sahara e XR300L Tornado.
Essa ampla adoção da tecnologia reflete uma característica única do mercado brasileiro. Enquanto muitos países estão avançando rapidamente em direção à eletrificação das motocicletas, o Brasil se beneficia da disponibilidade do etanol como uma alternativa renovável, que reduz emissões sem exigir alterações na infraestrutura de abastecimento. O país ainda abriga uma das maiores frotas de motocicletas do mundo, o que potencializa a escala da implementação dessa tecnologia.
O sistema flex da Honda opera de maneira inteligente, identificando automaticamente a proporção de etanol e gasolina no tanque da motocicleta e ajustando a injeção e o ponto de ignição conforme necessário. Isso proporciona ao motociclista a flexibilidade de abastecer de acordo com o preço ou a disponibilidade do combustível, sem comprometer o desempenho ou a confiabilidade do motor.
Para Marcos Bento, chefe comercial da Honda Motos, a marca de 10 milhões representa a “capacidade da indústria brasileira de inovar com foco no cliente”.
Além disso, a tecnologia flex também se tornou um produto de exportação, com a Honda iniciando a exportação da tecnologia para a Índia em 2023, um passo estratégico dado que a Índia é considerada o maior mercado de motocicletas do mundo. Essa iniciativa faz parte da estratégia global da Honda, que visa alcançar a neutralidade de carbono até a década de 2040, apoiando-se não apenas na eletrificação, mas também na evolução dos motores a combustão que utilizam combustíveis renováveis.





