Uma pesquisa recente revelou que seis em cada dez brasileiros que planejam adquirir um carro estão sendo influenciados pelas incertezas econômicas relacionadas ao conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos. Os dados, coletados pelo Data OLX Autos em abril com 541 potenciais compradores que acessam o portal, indicam que 62% dos entrevistados consideram o cenário geopolítico e os preços dos combustíveis ao tomar suas decisões de compra.
A influência do contexto atual é mais pronunciada entre mulheres, com 74% afirmando que a situação impacta suas escolhas, consumidores da classe C (69%) e aqueles interessados em seminovos (75%). O estudo teve como objetivo medir como a instabilidade externa altera o comportamento dos consumidores em relação à compra de veículos no Brasil.
O receio dos consumidores é justificado pela escalada das tensões no Oriente Médio, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, a principal rota de petróleo do mundo. Essa situação provocou um aumento no preço do barril de petróleo e, consequentemente, nos combustíveis no Brasil. Como reflexo, 70% dos 271 respondentes que perceberam o impacto do conflito passaram a priorizar veículos com menor consumo de combustível.
Para quem ainda não possui um automóvel, o impacto se manifesta de outras maneiras: 37% estão reavaliando seus orçamentos, 30% consideram optar por veículos usados ao invés de novos e 9% estão cogitando a compra de modelos híbridos ou elétricos. Contudo, os dados também revelam um paradoxo: mesmo com o receio em torno do abastecimento e dos preços, 65% dos entrevistados não consideram a compra de veículos eletrificados, e quase 60% continuam a preferir modelos a combustão.
A resistência em adotar veículos eletrificados é notável, mesmo entre aqueles que se sentem diretamente afetados pelas incertezas. Dentre os 35% que estão abertos a migrar para um carro eletrificado, a maioria (15%) mostra interesse em híbridos, enquanto apenas 8% consideram os elétricos puros, que ainda dependem de motores a combustão como suporte.
“Os dados confirmam que o consumidor brasileiro está atento ao cenário global e ajusta seu comportamento dentro do limite que ele considera seguro e conhecido. A preferência pelos combustíveis tradicionais reflete menos uma negação das alternativas e mais uma questão de acesso, confiança e infraestrutura”, afirma Flávio Passos, vice-presidente de Autos do Grupo OLX.
Embora a crise atual leve os consumidores a buscar opções mais econômicas, os resultados sugerem que isso não é suficiente para provocar uma mudança significativa nos padrões de consumo. O temor em relação aos combustíveis persiste, coexistindo com a continuidade da rotina de compra em torno dos veículos a gasolina, etanol ou diesel.
A pesquisa foi realizada de forma quantitativa online, através de um questionário de autopreenchimento, entre os dias 1º e 30 de abril de 2026. A amostra contém 541 entrevistas, com uma margem de erro máxima de 4,2 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.





