Os supercarros equipados com câmbio manual estão se tornando cada vez mais raros no mercado automotivo. A última Ferrari de produção em série que ofereceu essa opção foi a California, em 2012. Contudo, a renomada fabricante italiana resolveu atender a demanda dos entusiastas que anseiam pela conexão proporcionada pelos três pedais, com o lançamento da Ferrari 12Cilindri Manuale.
Esse novo modelo combina o icônico motor V12 com um sistema inovador que simula a experiência de uma transmissão manual através de comandos eletrônicos. O câmbio de dupla embreagem de oito marchas pode operar como um câmbio manual de seis marchas, exigindo que o motorista acione o pedal de embreagem durante as trocas de marcha. No entanto, para aqueles que preferem uma condução mais prática, é possível utilizar o carro no modo automático.
A Ferrari, com sede em Maranello, reconheceu que a ausência de um pedal de embreagem e de uma alavanca de câmbio poderia afastar uma parte dos compradores nostálgicos das berlinettas do passado. Assim, em vez de retornar a um câmbio manual tradicional, que limitaria o desempenho do motor V12, a montadora desenvolveu o que chamam de “Manuale by-wire”.
A Ferrari optou por criar um módulo que imita o movimento direcional e os trancos típicos de uma transmissão manual, oferecendo uma experiência de condução que remete aos modelos clássicos.
O sistema Manuale by-wire mantém a configuração do câmbio de dupla embreagem (DCT) de oito marchas, porém transforma completamente a interface dentro da cabine. As borboletas atrás do volante foram eliminadas, dando lugar a uma alavanca no console central e a um pedal de embreagem que não possui conexão hidráulica ou a cabo com a transmissão. Dessa forma, toda interação física do motorista é convertida em sinais digitais que controlam a abertura e fechamento dos discos de embreagem por meio de uma central eletrônica.
Para garantir uma experiência realista, o pedal da embreagem utiliza um sistema passivo com mola e came, que simula a curva de esforço e peso típica de um mecanismo convencional. Um sensor de posição detecta a intenção do condutor e coordena as rotações do motor com a caixa de marchas. Se o motorista sincronizar os pedais corretamente, a troca de marcha será suave; caso contrário, o sistema irá intencionalmente gerar trancos ou até mesmo apagar o motor.
A alavanca possui um mecanismo cinemático usinado em aço de alta resistência, que simula os engates físicos em um padrão tradicional em forma de “H”. Atuadores eletromagnéticos recriam a resistência e os cliques mecânicos a cada mudança, além de um bloqueio físico que impede o engate de marchas incompatíveis com a velocidade. As trocas manuais estão disponíveis para as seis primeiras relações do câmbio, enquanto as sétima e oitava marchas são exclusivas para o modo automático.
Além disso, a proposta de resgatar a alavanca de câmbio exigiu modificações no interior do veículo. O console central foi redesenhado com uma chapa de aço adornada com uma escultura de alumínio anodizado que remete a um diapasão. A manopla redonda de metal apresenta a indicação das marchas em serigrafia retroiluminada, destacando-se da versão puramente automática.
Em termos de desempenho, o Ferrari 12Cilindri Manuale é equipado com um motor V12 de 6.5 litros aspirado, que entrega impressionantes 830 cv a 9.250 rpm e torque de 69,2 kgfm a 7.250 rpm. Essa configuração proporciona uma experiência de condução mais sensorial, já que o limite de corte é alcançado a 9.500 rpm, exigindo atenção do motorista para extrair todo o potencial do motor sem esbarrar nos limitadores eletrônicos.
Os números divulgados pela montadora atestam que a complexidade do sistema não impacta no desempenho. O esportivo pesa 1.565 kg a seco e é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 2,9 segundos, alcançando 200 km/h em menos de 7,9 segundos. A velocidade máxima informada supera a marca de 340 km/h, consolidando a Ferrari 12Cilindri Manuale como uma verdadeira obra-prima da engenharia automotiva.












