A agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Harley-Davidson para o nível “junk” (ou “lixo”, em português) nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026. O rating da fabricante americana de motocicletas caiu de BBB- para BB+, o que sinaliza uma perspectiva de maior risco para a empresa.
De acordo com a S&P, essa decisão reflete a estratégia da Harley em vender modelos mais baratos na tentativa de recuperar volume de vendas, o que pode impactar negativamente sua lucratividade a curto prazo. O rebaixamento é um indicativo de que a empresa enfrenta desafios significativos em um mercado competitivo.
Uma nota de crédito funciona como um boletim que mede a capacidade de uma empresa ou país de honrar suas dívidas. Quanto mais alta a nota, menor o risco percebido por credores. A faixa denominada “grau de investimento” inclui as empresas mais seguras, enquanto os títulos “especulativos” são considerados de maior risco. O BB+ atribuído à Harley-Davidson é o primeiro passo nesse território de maior risco, e a queda para esse grau pode encarecer os empréstimos, uma vez que a empresa pode ter que oferecer juros mais altos para atrair investidores.
A S&P aponta que a Harley-Davidson viu suas vendas caírem 12% em 2025 em relação ao ano anterior, sem uma redução proporcional nos custos de fabricação. Em resposta, a fabricante lançou em maio o plano “Back to Bricks”, que visa introduzir modelos de entrada mais acessíveis para atrair novos motociclistas e aumentar a rentabilidade das concessionárias. No entanto, a agência alerta que a oferta de motos mais baratas resulta em menor margem de lucro por unidade e que, no curto prazo, as despesas de reestruturação e tarifas de importação podem pesar sobre os resultados financeiros.
No Brasil, a situação também se mostra desafiadora, com vendas da Harley-Davidson apresentando queda, mesmo em um contexto de mercado aquecido. Dados da Fenabrave indicam que as vendas da marca no país despencaram mais de 50% entre os primeiros nove meses de 2020 e o mesmo período de 2025, apesar de uma leve recuperação em 2024 e 2025. Atualmente, a operação brasileira conta com 24 concessionárias, segundo a Abraciclo, e os modelos da linha 2026 começam a partir de R$ 119.950. Esse cenário se desenrola em meio ao melhor semestre da história do mercado brasileiro de motos, que registrou 1,17 milhão de emplacamentos, alta de 14,1%, embora os modelos populares de baixa cilindrada sejam os que mais atraem os consumidores, distantes do público tradicional da Harley-Davidson.






