Em meio ao apagão provocado pelas enchentes históricas na província de Guangxi, no sul da China, proprietários de carros elétricos e híbridos estão transformando seus veículos em fontes improvisadas de energia. Graças à tecnologia V2L (vehicle-to-load), esses motoristas têm conseguido recarregar celulares e alimentar equipamentos essenciais de vizinhos que ficaram sem eletricidade devido ao desastre.
As chuvas, originadas pelo tufão Maysak, o 10º da temporada e o primeiro a atingir a China em 2026, resultaram em um volume recorde de precipitação, com mais de 900 mm nas áreas mais afetadas. O tufão tocou o solo na ilha de Hainan em 3 de julho, perdendo força, mas permanecendo por cerca de 26 horas sobre Guangxi — o dobro do tempo usual para um tufão na região. O resultado foi o transbordamento e rompimento de reservatórios em Hengzhou, na área de Nanning, que inundaram cidades inteiras.
As autoridades locais confirmaram a morte de ao menos 39 pessoas, com o número aumentando após o rompimento de uma barragem. Além disso, 130 mil cidadãos foram forçados a deixar suas casas e 375 mil foram afetados. Drones e cerca de 5.700 barcos estão envolvidos nas operações de resgate.
Com a rede elétrica e as comunicações interrompidas em várias áreas, os veículos elétricos se tornaram um recurso valioso. A tecnologia V2L permite que esses carros funcionem como baterias portáteis. Modelos elétricos, híbridos plug-in e de autonomia estendida modernos são equipados com carregadores bidirecionais que não apenas recarregam as baterias na tomada, mas que também podem fornecer energia para dispositivos externos.
Um carro elétrico com bateria de 60 kWh pode fornecer cerca de 3,3 kW por quase 18 horas, o que é suficiente para atender as necessidades básicas de uma residência durante o apagão. Alguns híbridos oferecem um ‘modo camping’, que gera energia com o carro estacionado.
Imagens e vídeos compartilhados nas redes sociais mostram moradores reunidos ao redor de um Geely EX2, conhecido na China como Xingyuan, utilizando a função V2L. Internautas comentaram que “agora ninguém fala mal de carro elétrico”, destacando que essa funcionalidade, embora pouco utilizada, pode ser crucial em momentos de crise.
Além disso, grupos de proprietários de veículos elétricos se organizaram em comboios voluntários, usando aplicativos de mensagem para levar mantimentos a comunidades isoladas, aproveitando a capacidade de seus modelos de transitar por trechos alagados.
Apesar da utilidade demonstrada em situações críticas, especialistas advertiram sobre os riscos de adaptações improvisadas, como extensões precárias e a conexão de vários aparelhos em um único ponto, que podem aumentar o risco de sobrecarga e acidentes. À medida que a frota elétrica na China cresce — com veículos de nova energia representando 62,9% das vendas de carros novos em junho de 2026, segundo a China EV DataTracker —, é provável que essa solução seja cada vez mais comum.
A potência disponível varia conforme o modelo; enquanto opções de entrada, como o Geely EX2, oferecem cerca de 3,3 kW, a picape Geely Riddara RD6 pode chegar a 36 kW em corrente trifásica, suficiente até para recarregar drones.






