A Nissan revelou o Tekton, um novo utilitário compacto que se posiciona como o irmão gêmeo do Renault Duster, mas com características próprias. Fabricado na Índia, o modelo aproveita uma planta compartilhada pela aliança franco-japonesa e traz um design inspirado no robusto Patrol Y63, buscando se distanciar visualmente do Duster, que tem origem europeia.
A estratégia da Nissan com o Tekton é otimizar custos em um momento em que a eficiência financeira é crucial. Ao compartilhar arquitetura, componentes estruturais e conjuntos mecânicos com o Duster, a marca consegue reduzir os gastos de desenvolvimento em mercados onde o volume de vendas é determinante. O Tekton substitui indiretamente o Terrano, que foi vendido entre 2013 e 2020 e era, na prática, uma versão levemente modificada do Duster de primeira geração.
“O parentesco com a Renault é evidente, mas o Tekton apresenta uma dianteira com um design mais agressivo e uma grade ampliada, seguindo a nova linguagem visual da marca”, comentou um porta-voz da Nissan.
Apesar das semelhanças, a Nissan não se limitou a apenas rebranding. O Tekton tem um visual distinto, com alterações na carroceria que incluem um para-choque revisado e um recorte frontal mais reto. As rodas de liga leve têm um desenho exclusivo para essa versão, o que contribui para a individualidade do modelo.
Em termos de motorização, o Tekton mantém a oferta da aliança, com duas opções de motores a gasolina. As versões de entrada são equipadas com um motor 1.0 turbo de três cilindros, que entrega 101 cv e 16,9 kgfm de torque, acoplado a uma transmissão manual de seis marchas. Essa configuração é voltada para o consumo eficiente e para o uso diário.
Os modelos mais sofisticados são impulsionados pelo motor 1.3 turbo de quatro cilindros, que gera 163 cv e 28,6 kgfm de torque. Para lidar com essa potência, o Tekton pode ser equipado com uma transmissão manual de seis velocidades ou uma automática de dupla embreagem. O veículo ainda apresenta um vão livre do solo de 21,2 cm, que facilita a circulação em terrenos irregulares.
O interior do Tekton também é adaptável, com as versões mais caras oferecendo recursos como um quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas e uma central multimídia de até 10,1 polegadas, com o sistema Google integrado. Outros itens de conforto incluem bancos dianteiros ventilados, teto solar panorâmico e carregador de celular por indução. O modelo também conta com ar-condicionado de duas zonas e um sistema de som espacial com iluminação ambiente de 48 cores.
Além disso, as versões superiores do Tekton incluem um pacote de assistência à condução que agrega funcionalidades como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência e câmera de 360 graus. Em contrapartida, a versão de entrada é mais simples, com rodas de aço de 17 polegadas e freios traseiros a tambor, refletindo uma abordagem pragmática para o mercado asiático.
O preço inicial do Nissan Tekton é de 1,04 milhão de rúpias (aproximadamente R$ 58.400 em conversão direta), um valor que se aproxima do cobrado por subcompactos, como o Renault Kwid, na sua versão básica no Brasil. A estratégia da Nissan visa atrair consumidores que buscam um custo de aquisição mais acessível.
Por enquanto, a Nissan não planeja lançar o Tekton em mercados fora da Índia. A filial brasileira está focada no Kait, que utiliza a plataforma do antigo Kicks, evitando assim mudanças significativas na fábrica localizada em Resende (RJ).







