Em meio à crescente concorrência das montadoras chinesas no Brasil, a Stellantis revelou sua nova estratégia para reposicionar as marcas Citroën e Peugeot no mercado nacional. Durante uma coletiva em Belo Horizonte (MG), Herlander Zola, responsável pelas operações da empresa na América do Sul, destacou a importância de assegurar a rentabilidade das duas marcas francesas em um cenário desafiador.
O mercado automotivo chinês, que se tornou o maior do mundo, com mais de 31 milhões de automóveis e comerciais leves vendidos em 2025, tem imposto uma pressão significativa sobre as montadoras tradicionais. O governo chinês incentivou a exportação de seus veículos com subsídios, resultando em uma competição acirrada. No primeiro semestre de 2026, as marcas chinesas já superaram a participação da Fiat, líder histórica do setor, segundo dados da consultoria Bright.
Zola não especificou metas de participação de mercado, mas indicou que a Peugeot será posicionada ligeiramente acima da Fiat, enquanto a Citroën ficará um pouco abaixo. Essa estratégia visa criar uma complementariedade entre as marcas, alinhando-se à demanda interna e às escolhas da rede de concessionárias.
Além do reposicionamento das marcas francesas, a Stellantis também está atenta às parcerias com montadoras chinesas. A empresa já consolidou relações com a Leapmotor, com planos de iniciar a produção em Goiana (PE) em 2027, utilizando o regime CKD (veículos completamente desmontados) para os modelos elétricos B10 e C10. Este último conta com um motor-gerador a combustão, permitindo maior autonomia sem a necessidade de recargas frequentes.
Entretanto, a Stellantis demonstra cautela em relação à marca Dongfeng, que está em negociações com a Nissan. Zola enfatizou que não será possível manter duas operações simultâneas no Brasil, afirmando:
“Ou uma ou outra.”
Com essas movimentações, a Stellantis se prepara para enfrentar os desafios impostos pela competitividade crescente no mercado automotivo brasileiro, buscando garantir a relevância de suas marcas tradicionais enquanto explora novas parcerias estratégicas.





