A temporada 2026 da Fórmula 1 marcou uma mudança significativa na categoria, com a adoção de gasolina sintética 100% renovável, abolindo o uso de derivados de petróleo bruto e matérias-primas fósseis. Este novo combustível, que proporciona uma queima mais limpa, resulta em um custo elevado: um tanque cheio em um carro de F1 pode superar os R$ 250.000.
Essa iniciativa é parte de um plano ambicioso para zerar as emissões líquidas de carbono da competição até 2030, com uma redução de até 60% nas emissões de gases de efeito estufa dos monopostos em comparação aos anos anteriores. A gasolina sintética é produzida em laboratório a partir da captura de carbono, resíduos urbanos e biomassa não destinada à alimentação, e seu preço varia entre R$ 900 e R$ 2.500 por litro, dependendo do fornecedor de cada escuderia.
O elevado custo do combustível sintético representa um desafio financeiro para as equipes. Durante a corrida deste domingo na Bélgica, cada carro consumiu, em média, 3,2 litros por volta no circuito de Spa-Francorchamps, resultando em um consumo de 2,18 km/l, mesmo considerando que os carros são híbridos.
Os monopostos possuem tanques com capacidade para 100 litros, o que significa que abastecer um único carro pode custar mais de R$ 250.000. Com cada equipe alinhando dois pilotos por fim de semana, o gasto com combustível dobra, chegando a R$ 500.000 por garagem a cada Grande Prêmio. Quando se considera o grid completo e uma única etapa, o custo estimado de abastecimento pode atingir R$ 3,4 milhões. Ao longo de uma temporada com 24 corridas, as despesas totais podem ultrapassar R$ 83,4 milhões apenas com a nova mistura sintética.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) ressalta que os altos custos refletem a complexidade das pesquisas e a produção inicial limitada do combustível. Contudo, a mudança também serve como uma vitrine tecnológica. A gasolina sintética foi testada na Fórmula 2 e na Fórmula 3 antes de ser aprovada para a categoria principal, mostrando eficiência energética equivalente aos combustíveis fósseis tradicionais sem comprometer o desempenho dos motores.
As 11 equipes da F1 desenvolvem o combustível em parceria com fornecedores distintos, como a Saudi Aramco, que fornece o composto para a Aston Martin. Essa inovação não apenas promete revolucionar a categoria, mas também pode acelerar o desenvolvimento de alternativas energéticas que poderão abastecer a frota global de veículos de passeio no futuro. A Porsche, por exemplo, já possui uma fábrica de gasolina sintética no Chile e busca garantir a viabilidade dos veículos a combustão no futuro.







