Em 23/07/2026, a NHTSA iniciou regra para exigir 'sistema de projeção robusto e óbvio' nas maçanetas elétricas de todos os carros novos. A proposta atinge todas as fabricantes, não só a Tesla.
Os Estados Unidos deram um passo importante em direção à regulamentação das maçanetas retráteis, que operam exclusivamente com energia elétrica, permitindo que a alça se projete para fora da carroceria. A NHTSA, agência federal responsável pela segurança viária, anunciou na quinta-feira, 23 de julho de 2026, a abertura de um processo de regulamentação que exigirá um “sistema de projeção da maçaneta robusto e óbvio” em todos os veículos novos comercializados no país.
A proposta não se restringe apenas à Tesla, cujas maçanetas embutidas foram o foco da questão; ela se aplica a qualquer fabricante que ainda utilize esse design. De acordo com informações, cerca de 70 modelos atualmente disponíveis nos Estados Unidos contam com maçanetas retráteis elétricas.
A motivação para essa proibição surgiu devido a situações críticas em que os veículos perdem energia. Em casos de acidentes seguidos de incêndios, o acionamento elétrico da maçaneta pode falhar, deixando os ocupantes presos. Embora muitos desses carros possuam um acionamento mecânico de emergência, ele frequentemente está oculto, sem sinalização adequada, e em locais que o motorista pode nunca ter considerado. Esses problemas são ainda mais graves em situações de emergência, quando o acesso rápido aos ocupantes se torna vital.
As maçanetas retráteis tornaram-se uma opção popular em veículos mais recentes, especialmente elétricos, devido ao design mais aerodinâmico que oferecem. No entanto, houve relatos de acidentes trágicos em que a falta de energia elétrica após a colisão impediu o acesso de socorristas aos ocupantes, resultando em fatalidades. Em diversos casos, o resgate foi dificultado pela incapacidade de abrir as portas, mesmo quando existiam mecanismos de liberação emergencial, que muitas vezes eram desconhecidos pelos socorristas ou extremamente confusos.
Uma investigação revelou pelo menos 15 mortes na última década em situações em que ocupantes ou socorristas não conseguiram abrir as portas de Teslas que sofreram acidentes e pegaram fogo, além de cerca de 140 relatos de pessoas presas dentro dos veículos. Contudo, a abertura do processo não garante que uma nova norma será implementada. A NHTSA também negou um pedido de investigação sobre um defeito, argumentando que a norma federal FMVSS 206 não abrange a posição ou a identificação do acionamento mecânico. O processo de regulamentação pode levar de dois a cinco anos, e a exigência provavelmente não entrará em vigor antes de 2030.
Enquanto os Estados Unidos deliberam sobre a questão, a China já tomou uma decisão. A norma GB 48001-2026, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2027, exige que todos os veículos vendidos no país possuam maçanetas mecânicas tanto internas quanto externas, exceto na tampa do porta-malas. Cada maçaneta externa deve permitir um acesso mínimo de 6 cm x 2 cm x 2,5 cm em qualquer situação, impossibilitando o design totalmente embutido. O movimento chinês foi motivado por acidentes semelhantes, onde a impossibilidade de abrir as portas se tornou uma questão crítica.
No Brasil, até o momento, não há previsão de regulamentação similar. No entanto, considerando que muitos veículos elétricos disponíveis no país são projetados na China, é provável que as normas chinesas sejam incorporadas nos modelos que forem redesenhados para o mercado brasileiro.





