Estudo da Bright Consulting aponta que, entre 2025 e jun/2026, a tabela média dos carros caiu 1,5% (R$172,5 mil para R$170 mil). O preço pago pelo cliente caiu 3,5% (R$157,7 mil para R$152,1 mil), ambos deflacionados.
O preço dos carros no Brasil começou a apresentar uma queda significativa pela primeira vez desde o início da pandemia, conforme aponta um estudo da Bright Consulting. Entre 2025 e junho de 2026, o preço médio de tabela dos veículos leves caiu 1,5% em termos reais, passando de R$ 172,5 mil para R$ 170,0 mil.
Além disso, no valor que o cliente efetivamente paga, a queda foi ainda mais expressiva, alcançando 3,5%, com o preço caindo de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil. É importante ressaltar que ambos os valores são deflacionados, ou seja, já descontam a inflação do período, permitindo uma análise mais precisa do que realmente ocorre no mercado.
Nos 12 meses até junho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,64%, segundo dados do IBGE. Assim, se o reajuste de um modelo ficou abaixo desse índice, o preço real efetivamente caiu, mesmo que a etiqueta em reais tenha subido. Essa dinâmica indica que o carro passou a consumir uma fatia menor da renda de quem compra.
Preço médio de veículos leves (valores deflacionados)
De acordo com os dados, o preço público, que é o valor sugerido pela fabricante, e o preço de transação, que é o que o cliente paga após descontos, bônus e campanhas, continuam apresentando uma diferença crescente. Essa diferença aumentou de R$ 14,8 mil em 2025 para R$ 17,9 mil em junho deste ano, revelando um cenário de descontos cada vez mais elevados.
A queda nos preços marca uma inflexão em um ciclo que se abriu em 2020, quando a escassez de semicondutores e o desequilíbrio entre oferta e demanda permitiram reajustes muito acima da inflação. Embora a produção tenha se normalizado e os descontos tenham aumentado, eles não foram suficientes para derrubar o preço real dos veículos até agora.
Segundo a Bright Consulting, a principal razão para essa mudança é o aumento da competição no mercado. A entrada de novas marcas, muitas delas de origem chinesa, trouxe portfólios recentes e políticas comerciais agressivas. Esses novos modelos frequentemente oferecem mais equipamentos em comparação aos rivais tradicionais, sem um aumento proporcional no preço.
Itens como sistemas de assistência à condução (ADAS), telas multimídia grandes e teto panorâmico tornaram-se quase obrigatórios em vários segmentos, e a competição levou as montadoras estabelecidas a ampliar suas campanhas, oferecer bônus e acelerar atualizações de produtos para não perder espaço no mercado. A tendência de queda nos preços deve se intensificar nos próximos meses, com novos investimentos industriais e a chegada de mais marcas ao Brasil.





