O CEO da Mercedes, Ola Källenius, disse que a adoção de telas e controles digitais pode ter ultrapassado limites práticos. Ele diz que as telas seguem em expansão, mas a parte prática precisa ser revista.
A crescente digitalização dos comandos nos automóveis, que se tornou uma tendência popularizada por marcas como Tesla e fabricantes chineses, pode ter ultrapassado os limites aceitáveis, conforme declarado por Ola Källenius, CEO da Mercedes-Benz. Em entrevista, Källenius destacou que a indústria automotiva pode ter ido “um pouco longe demais em direção aos controles digitais”.
O executivo ressaltou que, embora as telas sensíveis ao toque continuem a se expandir nas cabines dos veículos, a indústria ainda não atingiu seu potencial máximo. “Não sei se atingimos o auge das telas, mas estamos na fase inicial de baixa utilização de botões”, afirmou Källenius, referindo-se à crescente presença de interfaces digitais nos automóveis.
A Mercedes, assim como outras montadoras de luxo, tem investido em grandes telas sensíveis ao toque, substituindo os tradicionais botões físicos. Um exemplo significativo é o MBUX Hyperscreen, que pode alcançar impressionantes 1,41 metros de largura em determinados modelos. Essa inovação reflete um esforço para modernizar a experiência do usuário em seus automóveis.
Källenius também comentou sobre os esforços da montadora em aprimorar a intuitividade das telas, visando facilitar o uso tanto para crianças quanto para executivos. “Dedicamos inúmeras horas à interface do usuário. Passo horas todos os anos discutindo isso com nossos engenheiros, e brincamos que precisa ser tão fácil que tanto uma criança de cinco anos quanto um membro do conselho da Mercedes consigam usá-la”, explicou.
No entanto, o CEO reconheceu que a Mercedes, em algumas ocasiões, desenvolveu tecnologia sem considerar as opiniões dos consumidores. “Às vezes, nos precipitamos um pouco e investimos em tecnologia pela tecnologia em si, talvez nos esquecendo um pouco do cliente. Portanto, de agora em diante, vocês verão que reintroduzimos os botões mais práticos”, disse Källenius.
Recentemente, a China anunciou uma mudança em sua abordagem em relação aos controles nos veículos, decidindo limitar a digitalização excessiva. O governo chinês estabeleceu normas que exigem a reintrodução de botões físicos para funções de segurança essenciais. Com essa regulamentação, comandos como luzes de direção, pisca-alerta e seletores de marcha devem ter controles físicos dedicados, com uma área mínima estabelecida para garantir que possam ser acionados facilmente, sem que o motorista precise desviar a atenção da condução.







