A montadora suspendeu o desenvolvimento do G74 em meio a uma reestruturação para redistribuir investimentos. A medida ocorre após queda nas vendas — sobretudo na China — e prioriza modelos de maior demanda.
A BMW anunciou a suspensão do projeto G74, um SUV off-road que estava sendo desenvolvido para competir diretamente com o Mercedes-Benz Classe G e o Land Rover Defender. Essa decisão reflete uma reorganização estratégica da montadora, que busca redistribuir investimentos globais em resposta à queda nas vendas, especialmente no mercado chinês.
Nos últimos anos, o mercado automotivo passou por transformações significativas, levando a BMW a reavaliar quais modelos são viáveis até o final da década. O congelamento do projeto G74 evidencia que a montadora está priorizando segmentos mais amplos, em detrimento de utilitários de nicho, à medida que novas fabricantes asiáticas ganham espaço.
Antes da paralisação, o G74 passou por uma evolução rápida, começando como um conceito elétrico baseado na arquitetura Neue Klasse, que será usada na próxima geração de produtos da empresa. Entretanto, com a diminuição da demanda por veículos elétricos, o desenvolvimento foi transferido para a plataforma CLAR, que permitiria a utilização de motores a combustão e opções híbridas, reduzindo os riscos comerciais.
A mudança de foco no projeto visava adaptar o modelo às diferentes realidades dos mercados europeu e americano. No entanto, a proposta não obteve a aprovação final da diretoria da montadora, que justificou a decisão com a atual situação econômica global. O mercado chinês, que era considerado o motor de crescimento para as marcas de luxo, enfrenta uma retração significativa na demanda.
Além disso, as fabricantes locais na China estão se expandindo agressivamente em mercados como Europa, América Latina e Ásia-Pacífico, o que pressiona as marcas estabelecidas a focarem em modelos com maior volume de vendas. Isso tem resultado em uma diminuição da tolerância a apostas em projetos com vendas restritas.
O contexto é ainda mais complicado pelo aumento das tarifas de importação, flutuações cambiais e instabilidade em regiões como o Oriente Médio. Diante desse cenário, a BMW decidiu redirecionar seus recursos financeiros para áreas onde o retorno é mais previsível.
Enquanto isso, os modelos de maior aceitação continuam a avançar. A montadora já registra aproximadamente 100.000 pedidos para o novo iX3, o que motivou a abertura de um segundo turno na nova fábrica de Debrecen, na Hungria. As pré-vendas do novo i3 também superaram as expectativas, com pedidos oficiais programados para abertura no final de setembro. Esses dados reforçam a prioridade da BMW em garantir escala nos segmentos onde já atua com força.
Os resultados de vendas evidenciam a disparidade entre as exigências dos diferentes continentes. Na Europa, as vendas de modelos elétricos da marca cresceram mais de 30% no segundo trimestre, enquanto nos Estados Unidos, os veículos com motor a combustão apresentaram um aumento de dois dígitos, justificando a decisão da montadora de desenvolver múltiplas opções de propulsão simultaneamente.







