Pesquisa britânica revela que 25% não usam controle de cruzeiro adaptativo; 20% ignoram frenagem automática e 18% evitam assistente de faixa. Recursos pagos ficam subutilizados.
A tecnologia embarcada nos carros modernos segue avançando, mas parte significativa dos recursos não é aproveitada pelos condutores. Pesquisa recente realizada na Grã-Bretanha aponta que uma parcela expressiva de motoristas simplesmente opta por desligar os assistentes eletrônicos de segurança ou jamais os incorpora à rotina de condução.
Segundo o levantamento, mais de um quarto dos condutores nunca aciona o controle de cruzeiro adaptativo. Cerca de 20% ignoram sistemas considerados fundamentais, como a frenagem automática de emergência, e quase 18% evitam o assistente de permanência em faixa. Esses números contrastam com o investimento crescente das montadoras em sensores, radares e software para condução assistida.
O motivo principal apontado pelos entrevistados é a sensação de que os alertas e as intervenções automáticas ocorrem de forma brusca, gerando incômodo em vez de trazer benefícios claros durante a condução urbana e rodoviária. Essa percepção reduz a confiança nos sistemas e amplia a propensão a desativá-los.
Outros itens que costumam elevar o preço final dos veículos também apresentam baixa utilização no dia a dia. Mais de 17% dos proprietários que dispõem de head-up display (projeção de informações no para-brisa) jamais ativam o equipamento, e uma parcela considerável admite desconhecer seu funcionamento. O seletor de modos de condução segue a mesma tendência de baixa popularidade para uso cotidiano.
Em contraponto, os recursos de conectividade e conveniência continuam liderando as preferências entre os compradores de carros novos. Protocolos de integração de smartphones via Bluetooth, câmeras de ré e sistemas de navegação figuram no topo da lista de itens mais valorizados e utilizados de forma contínua pelos motoristas. O resultado evidencia que soluções simples e intuitivas para conectividade têm maior aceitação do que sistemas autônomos complexos.
Do ponto de vista técnico, os dados colocam em evidência dois desafios para fabricantes e fornecedores de software automotivo: a usabilidade dos sistemas de assistência ao condutor e a necessidade de calibragem das intervenções para evitar reações consideradas intrusivas. A adoção efetiva desses recursos depende tanto da eficácia das tecnologias quanto da confiança e do treinamento dos usuários.
Para o mercado, a mensagem é clara: funcionalidades percebidas como úteis e fáceis de usar tendem a ser mais valorizadas, enquanto sistemas que geram alertas frequentes ou intervenções abruptas correm o risco de ficarem subutilizados, mesmo quando agregam custo relevante ao veículo.





