Andrew Macdonald, executivo da Uber, diz que tarifas baixas no Brasil e na Índia tornam inviável substituir motoristas por carros autônomos. Ele afirma não saber quando a maioria das corridas será sem condutor.
A Uber afirmou que a adoção em larga escala de táxis autônomos será atrasada no Brasil e na Índia devido ao baixo custo da mão de obra local. Segundo o presidente e diretor de operações da empresa, Andrew Macdonald, os dois países vão segurar o calendário global da tecnologia porque, enquanto as tarifas permanecerem tão baixas, a substituição do motorista por veículos robotizados não será economicamente viável.
Em entrevista, Macdonald disse não saber estimar quando a maioria das corridas da Uber será feita sem motorista, já que isso depende da chegada da tecnologia aos grandes mercados de viagens — entre eles Brasil e Índia. Enquanto não chegar, o ritmo global de implementação não avança.
O entrave apontado pela empresa é essencialmente aritmético. Uma corrida no Brasil custa, em média, entre US$ 3,50 e US$ 4, algo entre R$ 18 e R$ 21. Na Índia, a faixa fica entre US$ 2,50 e US$ 3, correspondendo a R$ 13 a R$ 16. Esses valores se referem ao preço da viagem inteira e, segundo a Uber, o motorista fica com a maior parte desse montante.
Na arquitetura atual da plataforma, o motorista é um custo variável que existe apenas quando há corrida: ele compra o carro, abastece, faz revisão, paga seguro e arca com a desvalorização. A plataforma fornece o aplicativo e recebe uma comissão sobre a corrida. No modelo robotáxi, essa lógica se inverte: o veículo faz parte de uma frota, tem custo muito maior por incorporar sensores, lidar e computador de bordo, e gera depreciação independentemente de estar rodando ou parado.
Além do custo inicial elevado do equipamento, passam a incidir despesas fixas como pátio, limpeza, seguro, mapeamento e operadores remotos que supervisionam os veículos à distância. Esses custos existem mesmo quando a frota está ociosa, o que torna necessária uma tarifa média suficientemente alta para que a economia com a eliminação do motorista compense a amortização do veículo autônomo. Em trajetos com tarifa de cerca de R$ 20, a margem não é suficiente para justificar a substituição.
San Francisco e Los Angeles estão entre os mercados em que a empresa já opera com veículos sem condutor, embora a operação com motoristas humanos continue sendo a espinha dorsal da plataforma. A Uber faz cerca de 300 milhões de viagens por semana no mundo e as corridas autônomas representam alguns milhões por mês — um volume que, na comparação com a operação total, é marginal.
Na pandemia, quando a receita bruta da divisão de mobilidade caiu 84% em três semanas, a empresa vendeu sua unidade de direção autônoma, a Advanced Technologies Group. Segundo Macdonald, a Uber não se via em posição de liderar o desenvolvimento dessa tecnologia e optou por concentrar recursos no negócio principal, caminhando por meio de parcerias com empresas especializadas.
Para o Brasil, a conclusão prática é direta: enquanto o custo por quilômetro da tecnologia não despencar, o carro sem motorista continuará mais caro do que manter um motorista, postergando a largada dos robotáxis em mercados de tarifas baixas.





