O conselho aprovou por unanimidade o Plano Futuro 2030, com 12 ações para reestruturar o grupo. A empresa prevê cortar 50.000 empregos e reduzir em 50% sua linha de modelos para melhorar competitividade.
O conselho de supervisão do Grupo Volkswagen aprovou, por unanimidade, na quinta-feira (3) o Plano Futuro 2030, uma reestruturação considerada uma das maiores da história da montadora. A iniciativa surge em contexto de instabilidade setorial apontada pela queda das vendas na China e pelo aumento de tarifas nos Estados Unidos.
O plano reúne 12 iniciativas destinadas a fortalecer a posição competitiva do grupo. A diretoria executiva conduzirá as medidas em conjunto com marcas, subsidiárias e representantes dos funcionários, com início imediato, segundo a companhia.
Entre as medidas anunciadas está a previsão de corte de aproximadamente 50.000 postos de trabalho, incluindo cargos de gestão. A montadora qualificou as demissões como fundamentais para alcançar os objetivos do programa de transformação e preservar a competitividade do grupo.
“Para atingir os objetivos do programa de transformação e salvaguardar a competitividade do Grupo Volkswagen”
Em nota, a empresa ressaltou a necessidade de ajustar a capacidade da força de trabalho à realidade econômica diante da intensificação da concorrência global, mudança na demanda e transformações tecnológicas na indústria automotiva.
“Diante da intensificação da concorrência global, da mudança na demanda e das transformações tecnológicas na indústria automotiva, um alinhamento consistente da capacidade da força de trabalho com a realidade econômica é essencial”
O plano também trata da capacidade industrial na Europa. A companhia informou que, por enquanto, não prevê o fechamento imediato de quatro fábricas na Alemanha, e que a decisão sobre seu futuro será tomada até o final de junho de 2027. O conselho reconheceu que a capacidade europeia excede atualmente a demanda em mais de 500.000 unidades.
“Uma alocação de produção futura competitiva para as fábricas [alemãs] de Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm não pode ser garantida de forma escalonada entre 2031 e 2034. Paralelamente, e em complemento a isso, estão sendo avaliadas utilizações alternativas para essas fábricas”
Na estratégia de produto, o Grupo Volkswagen projeta simplificar seu portfólio até 2035, reduzindo cerca de 50% dos modelos e cortando cerca de 75% da complexidade de oferta, concentrando-se nas versões e modelos mais atraentes. A empresa diz que a medida deverá gerar maiores volumes por modelo, custos mais baixos e ganhos de escala. Entre as consequências potenciais, o documento corrobora rumores sobre descontinuações de marcas ou gamas até 2030, sem decisões finais anunciadas.
“Na China, o grupo está se adaptando às expectativas revisadas de crescimento do mercado automotivo chinês e expandindo suas exportações para o Sul global”
O grupo indicou que vai focar nos segmentos mais rentáveis nos mercados dos Estados Unidos e da China. Para o futuro comercial, o Grupo Volkswagen planeja manter vendas anuais em nove milhões de veículos, o mesmo volume do ano fiscal de 2025. Estão previstos € 135 bilhões em investimentos de capital e pesquisa e desenvolvimento no período entre 2027 e 2031.
“Este é um forte sinal para o futuro do Grupo Volkswagen. Estamos assumindo a responsabilidade por toda a nossa força de trabalho, pelos nossos parceiros e pelos empregos industriais em todo o mundo. Nos próximos anos, investiremos uma quantia de três dígitos bilionários para tornar nossas marcas icônicas ainda mais atraentes, fortes e competitivas”, afirmou Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen.







