Um trabalhador terceirizado na Baía de São Francisco contou, sob anonimato, ter encontrado vômito, fezes e cabeças de porco em robotáxis. Ele diz que fazia manutenção, checava baterias e transferia dados das viagens.
A expansão dos robotáxis da Waymo depende de uma infraestrutura humana de apoio responsável por manutenção, logística e higienização — atividades que a empresa raramente exibe publicamente. O relato é de um funcionário de um depósito da companhia, contratado por uma prestadora de serviços, que falou sob anonimato sobre a rotina operacional na região da Baía de São Francisco.
Segundo esse funcionário, as atribuições incluíam estacionar os veículos, verificar o estado de carga das baterias, transferir os dados coletados nas viagens e encaminhar problemas técnicos às equipes responsáveis. Quando um carro precisava de higienização, a tarefa era repassada a equipes específicas de limpeza. Vômito e fezes aparecem com frequência nos veículos, sobretudo nas noites de fim de semana, e demandam atendimento dedicado.
O episódio mais inusitado citado no relato envolveu duas cabeças de porco encontradas no banco traseiro de um dos carros. De acordo com a descrição, os itens estavam soltos no veículo e a remoção foi realizada pela equipe de limpeza.
Os pagamentos informados para essas funções variam conforme o turno. O valor é de aproximadamente R$ 150 por hora (US$ 29) para quem trabalha de manhã ou no turno intermediário. Quem cobre a madrugada, das 22h às 6h30, recebe um adicional de US$ 2, elevando a remuneração para cerca de R$ 160 por hora (US$ 31). Há ainda um adicional de US$ 1 por hora para quem pega as noites de sábado e domingo, períodos apontados como de maior volume de sujeira.
A rotina descrita é instável: funcionários circulam entre diferentes depósitos e só descobrem o local do turno duas horas antes do início. A função de cada dia seria definida pelos gerentes no momento, conforme tempo de casa e proximidade com a chefia. Antes de iniciar as atividades operacionais, o funcionário passou por integrações separadas na prestadora de serviço, na operadora do serviço autônomo e na controladora, seguidas de uma semana de treinamento.
O funcionário disse não saber se passageiros que sujam os carros são impedidos de usar o serviço e afirmou que as imagens das câmeras internas não são revisadas de forma rotineira. Nem a operadora dos robotáxis nem a prestadora de serviços comentaram publicamente o relato.
A operação comercial vem avançando rapidamente: em 1º de setembro, o serviço abriu viagens autônomas ao público em Denver, San Diego e Tampa, alcançando 14 cidades americanas e uma frota superior a 4 mil veículos. A empresa afirma realizar mais de 500 mil viagens pagas por semana e projeta 1 milhão até o fim do ano.
Mesmo sem motorista a bordo, os veículos contam com suporte humano remoto. Em carta ao senador citado em fevereiro, a companhia informou manter cerca de 70 agentes de assistência remota de plantão simultaneamente no mundo — metade no Arizona e em Michigan, e a outra metade em duas cidades das Filipinas. A empresa sustenta que esses agentes não dirigem os veículos à distância; eles respondem a pedidos de informação do sistema autônomo, que pode aceitar ou descartar a orientação.





