Controladora das marcas Seat e Cupra afirma avaliar cenários para o pós-2030 e garante que nenhuma decisão foi tomada. Documento interno vazado aponta plano para descontinuar a marca espanhola até o fim da década.
A Seat S.A., controladora das marcas Seat e Cupra, admitiu que a continuidade da marca Seat está em análise e que vários cenários permanecerão abertos para depois de 2030. Em comunicado divulgado na sexta-feira (4), a empresa informou que nenhuma decisão foi tomada, mas consignou pela primeira vez a hipótese de aposentar um nome criado em 1950.
O comunicado saiu um dia depois de um semanário econômico alemão revelar o conteúdo de um documento interno preparado para o conselho de supervisão da Volkswagen, que apontaria um plano para descontinuar a marca espanhola de forma ordenada até o fim de 2029. Segundo o documento, produtos, rede de vendas e estrutura industrial seriam transferidos, sempre que possível, para a Cupra, que nasceu como uma submarca esportiva e hoje aparece antes do nome do modelo.
“Nenhuma decisão foi tomada.”
A avaliação interna aponta que manter a Seat no formato atual exigiria recursos adicionais. A Volkswagen não confirmou publicamente o plano divulgado pelo semanário. A Seat, por sua vez, mantém um plano de produtos definido para os próximos anos, com versões híbridas leves do Ibiza e do Arona previstas para 2027, enquanto o que virá depois permanece em xeque.
O episódio está inserido no chamado Future Plan 2030 da Volkswagen, aprovado por unanimidade em 3 de setembro — o mesmo conselho havia rejeitado o pacote por 12 votos a 7 em julho. O programa prevê o corte de cerca de 50 mil postos de trabalho, além de outros 50 mil já em andamento; a redução de metade do portfólio de modelos até 2035; e investimentos de €135 bilhões (cerca de R$ 805 bilhões).
Na avaliação da montadora, há excesso de capacidade superior a 500 mil veículos na Europa. O documento também afirma que a produção em Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm — esta última unidade ligada à Audi — não está assegurada entre 2031 e 2034. As quatro fábricas empregam cerca de 45 mil pessoas e a empresa tem até junho de 2027 para apresentar uma alternativa viável para as instalações apontadas.
No Brasil, a presença da Seat remete a outra fase do mercado: a marca chegou em 1995, com veículos importados de Martorell e vendidos nas concessionárias da Volkswagen, incluindo o sedã Cordoba, o hatch Ibiza, o furgão Inca e a perua Vario. O imposto de importação de 70% encareceu os produtos, e a operação local foi encerrada no início dos anos 2000.





