Stellantis anunciou redução do ritmo de produção das picapes em Córdoba, citando ajuste à demanda interna e de exportação. Sindicatos dizem que a procura ficou abaixo do projetado.
A Stellantis anunciou que reduzirá o ritmo de produção das picapes Fiat Titano e Ram Dakota na fábrica de Córdoba, na Argentina, pouco mais de um ano depois de transformar a unidade em polo regional de picapes. A alteração foi confirmada à imprensa argentina e foi justificada pela empresa como um ajuste que acompanha a evolução da demanda nos mercados interno e de exportação.
Fontes sindicais atribuem o corte à procura abaixo do projetado para os dois modelos. A companhia não detalhou a extensão completa do ajuste. Um novo programa comunicado a fornecedores prevê 3.000 unidades da Dakota e 1.000 da Titano entre setembro e dezembro, contra 8.000 e 1.500 previstas inicialmente.
No ano, a produção das duas picapes passaria de 27.000 para cerca de 16.500 unidades, queda de aproximadamente 39%. Os volumes não foram confirmados pela Stellantis. A linha deve operar em um único turno a partir de setembro.
O Polo Industrial Ferreyra recebeu investimento de US$ 380 milhões (R$ 1,95 bilhão) anunciado em 2024, que inclui uma fábrica de motores para o 2.2 Multijet de 200 cv e 45,9 kgfm, com produção prevista para o início de 2027. A Stellantis afirmou manter os projetos de investimento e classificou a unidade como estratégica para a América do Sul.
O desempenho comercial no Brasil, principal destino externo da fábrica, ajuda a explicar o ajuste. Lançada em março de 2024, a Titano emplacou 6.223 unidades em 2024 e 6.437 em 2025. Em 2026, a Titano acumula cerca de 3,5 mil unidades até agosto, totalizando pouco mais de 16 mil unidades em dois anos e meio. A Dakota, que estreou neste ano com preço a partir de R$ 249.990 sobre a mesma base mecânica, registra aproximadamente 3,2 mil unidades.
As picapes líderes de mercado seguem em patamares significativamente superiores: até agosto, a Toyota Hilux passava de 30 mil emplacamentos, a Ford Ranger somava quase 24 mil e a Chevrolet S10 superava 20 mil. A Mitsubishi Triton registrava 8,6 mil. No fechamento de 2025, a Hilux terminou o ano com 49.732 unidades, quase oito vezes o volume da Titano no mesmo período.
Dentro do portfólio da própria Stellantis, a diferença também é ampla: a Strada supera 113 mil unidades no ano, a Toro chega a 38 mil e a Ram Rampage soma cerca de 16,8 mil, mais de cinco vezes o resultado da Dakota, com quem divide showroom.
O ajuste produtivo ocorre em um contexto mais amplo de retração da indústria argentina. Segundo dados setoriais, a produção nacional caiu 18% nos sete primeiros meses de 2026, e havia anúncio de corte de 17% na fabricação da Ford Ranger. A empresa reafirmou que manterá os projetos de investimento previstos para a unidade de Córdoba.





