A Ford entrou na disputa por um dos maiores contratos de veículos militares em aberto no Reino Unido. Ao lado da General Dynamics Land Systems UK e da consultoria de engenharia Ricardo, a montadora inscreveu versões militarizadas da Ranger, incluindo uma variante de seis rodas, no programa Light Mobility Vehicle (LMV) do Ministério da Defesa britânico.
O edital prevê a compra de cerca de 2.500 utilitários leves para aposentar as frotas de Land Rover Defender e Steyr-Puch Pinzgauer até 2030, dentro de uma iniciativa avaliada em 4,8 bilhões de libras (cerca de R$ 33 bilhões). A Ranger concorre com o Land Rover Defender Wolf Series II e com propostas apresentadas por General Motors e Ineos.
O consórcio composto por Ford, General Dynamics e Ricardo levou dois protótipos à avaliação prévia. O primeiro é uma picape 4×4 derivada da versão Wildtrak, com para-choque tubular, santantônio na caçamba e pintura de camuflagem. O segundo, mais ambicioso, mantém a aparência de carroceria semelhante à configuração XLT, mas adota o chassi da Ranger Super Duty, desenvolvido na Austrália, para acomodar a conversão 6×6.
A conversão de seis rodas não é inédita: Ricardo e Ford já haviam mostrado um exemplar em 2023. A novidade nesta fase da disputa é a entrada da General Dynamics no grupo, que traz experiência em sistemas e integração para aplicações militares.
Sob o capô, a proposta utiliza o motor V6 3.0 turbodiesel com 209 cv e 61,2 kgfm, associado a um sistema híbrido. Segundo dados divulgados anteriormente pela Ricardo, um motor elétrico traseiro acrescenta 286 cv nas configurações 6×6 e 6×4, ampliando tração e capacidade de manobra em terreno difícil.
A preparação para emprego em campo inclui blindagem inferior em aço, caixa de transferência reforçada, bloqueio dos diferenciais dianteiro e traseiro e suspensão de maior curso, que eleva a altura livre do solo para quase 30 cm e permite atravessar trechos alagados de até 85 cm. A proposta apresenta capacidade de reboque de 4.500 kg, carga útil de 1.982 kg e peso bruto total combinado (PBTC) de 8.000 kg. No interior, um software tático de missão roda na central multimídia de série de 12″.
As avaliações do Ministério da Defesa estão previstas para ocorrer entre outubro de 2026 e janeiro de 2027. A General Dynamics afirma que a proposta é escalável e de baixo custo, e que atende às necessidades do Exército britânico ao mesmo tempo em que abre espaço para exportação. São argumentos que ainda não passaram pelo crivo dos testes oficiais.
A comparação com programas brasileiros é direta: as Forças Armadas brasileiras também aposentaram o Land Rover Defender e a Toyota Bandeirante ao padronizar a frota leve em torno do Agrale Marruá, adotado em 2005 e ainda em serviço. A diferença apontada no processo do Reino Unido é que o projeto avalia adaptar picapes de linha civil para uso militar, enquanto o projeto nacional nasceu com escopo militar.







