Com só um elétrico à venda, a Ford testa no Brasil um Bronco elétrico produzido na China. O SUV, registrado no INPI, chegou em protótipo para avaliações; a versão EREV promete até 1.220 km de autonomia.
Com apenas um elétrico no mercado nacional — o Mustang Mach-E — a Ford estuda a introdução de um segundo modelo movido a eletricidade no Brasil: o Bronco elétrico chinês. A fabricante está testando o veículo em território brasileiro e avalia a possibilidade de oferecer o SUV no mercado local, posicionando-o acima do Bronco Sport.
Desenvolvido e produzido na China para atender tanto o mercado interno quanto a exportação, o utilitário já foi registrado no Brasil junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A vinda de um protótipo ao país para testes segue prática usual da marca, que utiliza o Centro de Desenvolvimento em Tatuí (Tatuí, SP) para provas de durabilidade — inclusive de modelos que não são vendidos por aqui, como ocorreu com os SUVs Ford Explorer e Lincoln Navigator.
Em dezembro, a fabricante apresentou a versão global do Bronco elétrico batizada como Bronco Basecamp. Na ocasião, material divulgado na internet exibiu detalhes do veículo e indicou a região da América do Sul como um dos destinos em potencial para o SUV.
Apesar de compartilhar nome e identidade visual com a família Bronco, o modelo chinês adota uma arquitetura pensada para conjuntos eletrificados. Com 5,03 m de comprimento e entre-eixos próximo de 3,00 m, o SUV supera em mais de 60 cm o Bronco Sport, aproximando-se do segmento de utilitários de grande porte. A carroceria preserva traços clássicos do Bronco — perfil reto, para-brisa verticalizado, caixas de roda pronunciadas e estepe pendurado — mas incorpora soluções voltadas à aerodinâmica e ao uso cotidiano, como maçanetas embutidas e grade frontal fechada nas versões eletrificadas.
A cabine aproveita as dimensões para ampliar o espaço interno e a capacidade de carga. Na configuração totalmente elétrica, a ausência do motor térmico libera um compartimento dianteiro de 160 litros, adequado para cabos de recarga e pequenos volumes. O pacote de equipamentos contempla central multimídia integrada, sistema de câmeras com visão 360° e assistente ativo de condução para auxílio em manobras.
Na China, a gama inclui duas alternativas de propulsão. A primeira é 100% elétrica, com dois motores (um por eixo) e bateria de 105,4 kWh, que proporciona até 650 km de autonomia no ciclo CLTC. A segunda utiliza tecnologia de extensor de autonomia (EREV), chamada Bronco Basecamp: a tração é sempre elétrica, enquanto um motor a combustão atua apenas como gerador para recarregar a bateria de 43,7 kWh em movimento. Essa combinação resulta em autonomia total de 1.220 km no ciclo CLTC.
Dedicado ao uso fora de estrada, o projeto mantém suspensão independente com braços duplos na dianteira e multilink na traseira, buscando equilíbrio entre estabilidade em asfalto e articulação em terreno acidentado. Versões mais equipadas oferecem modos de condução configuráveis, bloqueio mecânico de diferenciais dianteiro e traseiro e tração integral com gerenciamento eletrônico para distribuir torque conforme a necessidade, mitigando o impacto do peso adicional das baterias.
No momento, a presença dos protótipos em testes e o registro no INPI indicam que a Ford avalia opções para a linha, mas a decisão sobre lançamento e posicionamento comercial no Brasil permanece em análise.








