Marca registrou queda de 42% nas vendas entre 2019 e 2025, com 275.965 unidades em 2025 ante 475.684 em 2019. Rede de revendas pressiona por indenizações enquanto o mercado segue estável.
A Chevrolet perdeu 42% do volume de vendas no Brasil em sete anos e enfrenta a insatisfação da própria rede, que busca negociar indenizações para concessionárias que decidirem fechar as portas. O recuo da marca ocorreu mesmo com o mercado de automóveis e comerciais leves praticamente estável no período.
Em 2019 a marca foi líder isolada do mercado brasileiro, com 475.684 unidades emplacadas e 17,9% de participação, impulsionada pelo Onix, que vendeu mais que o dobro do segundo colocado, o Ford Ka. Em 2025 a Chevrolet registrou 275.965 carros e 10,8% de market share, sinalizando perda de fatia para concorrentes.
No mesmo intervalo o mercado total foi de 2.658.923 para 2.549.462 unidades, ou seja, a marca não perdeu vendas por queda do mercado, mas por deslocamento de fatia: Fiat e Volkswagen fecharam 2025 com 20,9% e 17,1% de participação, respectivamente.
A pressão sobre a Chevrolet ficou explícita em agosto. Pela Fenabrave, a marca emplacou 27.500 veículos no mês, contra 24.467 da BYD — diferença de pouco mais de 3 mil unidades — e 41.404 da Volkswagen. A BYD cresceu 149% na comparação anual. Para segurar o terceiro lugar, a fabricante ofereceu incentivos e bônus aos vendedores na reta final do mês e emplacou quase 5 mil carros em dois dias.
No varejo, o cenário é mais duro: pesquisa recente indicou que a rede Chevrolet deu a pior nota entre as marcas à afirmação de que os produtos são o que o cliente quer, além de ficar abaixo da média em remuneração por vendas e percepção de valorização da marca. Na região 1 — que reúne São Paulo, ABC Paulista e Baixada Santista — há concessionárias com menos de dez vendas mensais a pessoas físicas, com o restante do volume direcionado para vendas a empresas.
Com mais de 550 lojas no país, parte da rede vê o enxugamento como solução, mas a GM ainda não sinalizou cortes. Alguns grupos já passaram a dividir espaço com marcas chinesas: a rede Carrera abriu pontos da GWM e da Omoda Jaecoo ao lado de unidades antes exclusivas da Chevrolet.
Em nota, a montadora ressaltou sua atuação conjunta com a rede.
“GM e Abrac mantêm uma atuação conjunta e permanente com a rede Chevrolet”
A resposta comercial da empresa deve passar pela SAIC, parceira da GM na China em uma joint venture renovada por mais 20 anos, até 2047. Do acordo saíram o Spark EUV e o Captiva EV, já vendidos no Brasil, e estão previstos o Captiva PHEV e um hatch elétrico compacto que deve se chamar Joy EV — o Wuling Bingo Pro chinês, cotado para 2027. Há também um sedã em desenvolvimento com versões elétrica e híbrida plug-in.
Concessionários receberam, em viagem à China, a confirmação de que a Buick desembarcará no Brasil, o que permitiria converter parte da rede. A operação, porém, não começaria antes de 2028, e a GM não confirmou o plano.





