A GM diminuiu a previsão de produção do Bolt de 150 mil para cerca de 35 mil unidades, reduzindo drasticamente os volumes. A empresa diz que monitora a demanda e estuda o futuro do hatch elétrico.
A segunda vida do Chevrolet Bolt será muito mais curta do que a General Motors esperava. O hatch elétrico, que já esteve entre os modelos a bateria mais populares nos Estados Unidos, terá sua produção reduzida em cerca de 75% e pode sair de linha novamente no primeiro trimestre de 2027.
A GM planejava fabricar 150.000 unidades da nova geração do Bolt. A estimativa atual, contudo, despencou para aproximadamente 35.000 carros produzidos. Oficialmente, a fabricante não confirma os números, limitando-se a declarar que avalia continuamente a demanda dos clientes e a dinâmica do mercado.
O recuo representa um revés para os planos de eletrificação da marca, especialmente depois do esforço industrial feito para reposicionar o modelo. A geração anterior e o SUV derivado Bolt EUV haviam sido descontinuados para permitir que a fábrica de Orion, no estado de Michigan, abrisse espaço para a montagem de picapes grandes, como a Chevrolet Silverado EV e a GMC Sierra EV.
O novo Bolt ganhou sobrevida com a transferência de sua linha de montagem para uma planta na região de Kansas City, mas a procura pelo modelo renovado não decolou. Até agosto de 2026, apenas 4.224 unidades haviam sido vendidas nos Estados Unidos. Caso mantenha esse ritmo letárgico, o modelo deve terminar o ano com menos de 9.500 emplacamentos.
Um dos fatores centrais para o enfraquecimento das vendas foi o fim do incentivo fiscal federal de US$ 7.500 (cerca de R$ 37.464) concedido a compradores de carros elétricos nos EUA até 2025. Sem esse subsídio e sem alterações visuais significativas em relação ao antecessor, o hatch deixou de ser a escolha lógica em custo-benefício para muitos consumidores.
Na configuração de entrada, o Bolt parte de US$ 27.600 (R$ 137.611), valor que ainda recebe o acréscimo de uma taxa de destino obrigatória de US$ 1.395 (R$ 6.955). Em termos mecânicos, o conjunto segue competitivo: motor de 210 cv e 23,4 kgfm de torque, alimentado por uma bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) de 65 kWh, arquitetura capaz de garantir até 422 km de autonomia.
Enquanto isso, o Equinox EV tem atraído maior interesse no showroom da marca. O SUV elétrico parte de US$ 34.995 (R$ 174.482), antes da taxa de entrega de US$ 1.800 (R$ 8.975), e oferece autonomia estendida de até 513 km, além de maior porte e salto tecnológico que justificam a diferença de preço para muitos compradores.
A redução drástica na produção do Bolt já afeta a rotina da planta de Kansas City, que não consegue volume suficiente para retomar um segundo turno de operação. Para preservar a rentabilidade da fábrica e preencher a ociosidade, a GM precisará recorrer aos motores a combustão, produzindo versões térmicas do Chevrolet Equinox e do Buick Envision no mesmo local.
O cenário desenhado para o Bolt evidencia como variáveis externas — incentivos fiscais, mix de produtos e preferência por SUVs — continuam a determinar a viabilidade comercial de modelos elétricos no mercado norte-americano, mesmo quando a solução técnica do produto se mantém competitiva.












